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Leitura nas férias pode ajudar crianças e jovens a desacelerar e estimular a imaginação

Com mais tempo livre no recesso, livros, contos e histórias em quadrinhos podem se tornar alternativas ao excesso de telas e favorecer momentos de concentração

O período de férias costuma trazer uma pausa na rotina escolar e acadêmica. Sem a pressão das aulas, das provas e dos compromissos diários, crianças, jovens e adultos podem encontrar nos livros uma forma de ocupar o tempo livre com mais calma, imaginação e contato com novas histórias.

A chamada “maratona de leitura” não precisa estar associada a grandes metas ou a uma lista extensa de obras. A proposta pode ser mais simples: escolher um livro, uma crônica, um conto ou até uma história em quadrinhos e reservar alguns minutos do dia para a leitura. Quando feita sem cobrança, a prática tende a ser mais prazerosa e pode ajudar a criar uma relação mais natural com os livros.

Dados da mais recente pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró-Livro, apontam que a principal motivação para os leitores iniciarem uma obra é o prazer, com a resposta “gostar de ler” citada por 26% dos entrevistados, seguida por entretenimento e distração, com 15%. O levantamento reforça que o interesse pessoal é um dos caminhos mais importantes para aproximar o público da leitura.

Para Andresa Souza, professora de Psicologia da Estácio, as férias permitem que a leitura ocupe um lugar diferente daquele muitas vezes associado à obrigação escolar. “Quando a pessoa escolhe uma história por interesse próprio, ela se permite desacelerar, imaginar cenários, acompanhar personagens e entrar em contato com emoções e realidades que talvez não façam parte do seu cotidiano. Esse movimento favorece a concentração e também ajuda a ampliar a forma como ela compreende o outro e o mundo”, afirma.

A professora explica que o hábito pode começar de maneira simples, respeitando o ritmo de cada leitor. “Não é preciso começar por livros longos ou por metas difíceis. Contos, crônicas, histórias em quadrinhos e obras mais leves também são portas de entrada importantes. O vínculo com a leitura se fortalece quando aquele momento faz sentido para a pessoa”, completa Andresa.

Além de estimular a imaginação, a leitura frequente contribui para ampliar repertório, melhorar a interpretação de texto e enriquecer o vocabulário. Nas férias, esse contato pode acontecer de forma mais espontânea, sem a sensação de tarefa. A escolha de temas próximos aos interesses do leitor, como aventura, romance, fantasia, biografias ou histórias do cotidiano, ajuda a manter o interesse e evita que a atividade se torne cansativa.

Para quem deseja começar uma pequena maratona em casa, o ideal é criar uma rotina possível. Reservar de 15 a 20 minutos por dia, escolher um ambiente confortável e reduzir distrações, como televisão e celular, já pode fazer diferença. Outra estratégia é variar os gêneros ao longo da semana, intercalando obras mais leves com leituras que exijam um pouco mais de atenção.

Mais do que cumprir uma quantidade de páginas, o importante é transformar a leitura em uma experiência agradável. Durante o recesso, esse hábito pode funcionar como uma pausa no ritmo acelerado do dia a dia e abrir espaço para imaginação, descanso mental e novas descobertas.

Andresa Souza, professora de Psicologia da Estácio

(Conceito Comunicação)

Foto Ilustrativa Freepik

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