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Já lavou sua garrafinha de água hoje?

Recipientes podem acumular microrganismos, principalmente quando passam dias apenas recebendo mais água; lavagem frequente e atenção às tampas e frestas ajudam a evitar o problema

Ela fica na mesa de trabalho, vai para a academia, entra no carro, passa horas dentro da bolsa e, quando a água acaba, recebe uma nova dose e segue o expediente. No dia seguinte, a rotina recomeça. Afinal, se ali dentro só entra água, para que lavar a garrafinha todos os dias?

A ciência responde: porque ela também entra em contato com você e com o ambiente ao redor. Cada vez que você bebe água direto da garrafa, ela entra em contato com a boca e recebe gotículas de saliva. As mãos manipulam tampa, alça e corpo da garrafa ao longo do dia, enquanto o objeto é colocado sobre diferentes superfícies. Água, umidade e resíduos orgânicos criam condições que permitem a sobrevivência e, em determinadas situações, a multiplicação de microrganismos.

“As garrafinhas são uma estratégia sensacional para manter a hidratação ao longo do dia. O problema é esquecer que elas são objetos de uso constante e também precisam de higiene”, explica Roberval Moraes, biomédico habilitado em Patologia Clínica e professor do IDOMED.

E há evidência científica de que os habitantes invisíveis realmente podem contaminar a sua água. Um estudo publicado no Journal of Water and Health analisou 30 garrafas reutilizáveis de uso cotidiano, de plástico PET e aço inoxidável. Os pesquisadores encontraram bactérias nos recipientes e uma carga microbiana significativamente maior nas garrafas de PET. A boa notícia veio depois: procedimentos de higienização reduziram significativamente a quantidade de bactérias encontrada nas superfícies analisadas.

MORADORES INDESEJADOS

Antes de imaginar uma colônia de bactérias planejando conquistar a sua água, cabe a mesma regra que vale para outros objetos de uso cotidiano: encontrar microrganismos não significa automaticamente encontrar uma ameaça à saúde. Muitos deles convivem conosco e estão presentes no ambiente sem provocar doença. Outros, entretanto, podem ser potencialmente patogênicos, principalmente em determinadas condições ou para pessoas mais vulneráveis.

“A água também é necessária para os microrganismos. Quando temos um recipiente úmido que recebe contato das mãos e da boca, podemos levar para ali substâncias que favorecem sua permanência, e que vão usar a água que bebemos para se proliferar. E, se a garrafa não é transparente, muitas vezes nem conseguimos perceber visualmente o que está acontecendo no interior”, explica Roberval.

MATERIAL

Sua garrafinha é de plástico, inox ou vidro? O material pode influenciar a aderência e o crescimento de microrganismos. Garrafas de plástico, por exemplo, tendem a ser particularmente vulneráveis à formação de biofilmes, que são comunidades de bactérias envolvidas por uma matriz produzida pelos próprios microrganismos. Nas garrafinhas, microrganismos levados pela boca, pelas mãos e pelo próprio ambiente podem aderir às superfícies e, quando encontram umidade e condições favoráveis, permanecer e se multiplicar. Plásticos desgastados ou riscados podem apresentar irregularidades que facilitam essa aderência.

Mas esse não é o único fator de contaminação. Estado de conservação, formato, tempo de uso e, principalmente, frequência e qualidade da lavagem também fazem diferença. “Se você tem uma garrafa reutilizável de plástico, não precisa simplesmente jogá-la fora. O importante é ter mais atenção à higiene e ao estado de conservação. Água e sabão já resolvem grande parte do problema”, afirma Roberval.

Outro cuidado é não transformar a garrafa descartável de água mineral em companheira permanente. Essas embalagens são concebidas para uso único e, portanto, não são a melhor escolha para ciclos sucessivos de enchimento, lavagem e reutilização. Para uso contínuo, é preferível optar por recipientes próprios para essa finalidade.

FRESTAS

Às vezes, o problema não está no corpo da garrafa, mas naquele sofisticado sistema de tampa com canudo, borracha, válvula, bico e uma pequena fresta que aparentemente só um microbiologista e uma escovinha de três milímetros conseguiriam alcançar.

Esses detalhes merecem atenção justamente porque podem reter umidade e resíduos e são mais difíceis de alcançar durante uma lavagem rápida. “Garrafas com muitas dobrinhas e detalhes internos precisam de cuidado porque a esponja nem sempre chega a todos esses pontos. Existem escovas próprias para garrafas e peças menores que ajudam o sabão a alcançar essas regiões”, orienta Roberval.

Tampas, bicos, canudos, vedações e outras peças removíveis também devem entrar na lavagem. E, depois, precisam secar adequadamente antes de o recipiente ser fechado e guardado. Apenas completar a água que sobrou de ontem com água nova também não conta como limpeza. “É preciso utilizar sabão”, reforça o professor.

A frequência de lavagem depende do uso, mas a rotina deve considerar por onde aquele recipiente passou. Academia, hospital, transporte, rua e ambientes com muitas pessoas aumentam as oportunidades de contato com superfícies e mãos contaminadas. “Chegou da academia, lave a garrafa. Passou o dia na rua com ela, faça a higienização quando chegar em casa. Água e sabão, com uma boa ação mecânica da esponja ou da escova, são uma medida simples e muito eficiente”, recomenda Roberval.

Ou seja: continue mantendo o hábito saudável de levar uma garrafa com água para o trabalho, academia, viagens e passeios. Só não deixe que, enquanto você se preocupa em ficar hidratado, ela passe uma semana sem tomar banho.

(Conceito Comunicação)

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