José Renato Nalini (*)
Inacreditável que depois de dois conflitos mundiais que mataram mais de sessenta milhões de pessoas, a maioria delas vítimas indefesas, pois mulheres e crianças, o mundo aceitasse novos conflitos bélicos.
A insanidade consegue derrotar décadas de estudos, tornando letra morta aquilo que a inteligência escreveu sobre Direito Internacional e se traduziu na criação da ONU e de outros organismos destinados a edificar a harmonia na face da Terra.
Também é incrível que alguns se alegrem com os efeitos “benéficos” de uma luta armada. Traduzidos em lucros advindos de exportação de produtos que os envolvidos deixaram, forçadamente, de fabricar.
A verdade é que a guerra lembra o inferno, o precipício em que são arremessadas as almas impenitentes. Há coisa mais terrível do que aceitar que inocentes sejam mortos, sem razão e sem causa?
Em síntese, a guerra é apenas mal, perversidade, horror, miséria. E ela afeta a todos, queiramos ou não. Vejo uma notícia discreta em que até o preço do papel higiênico será majorado em virtude dela. Isso porque a crise do petróleo encarece o transporte dos produtos necessários à fabricação de papel higiênico, guardanapos, lenços de papel, absorventes e outros produtos que já entraram no consumo rotineiro de inúmeras pessoas.
Esse é um dado menor. Insignificante diante do morticínio, da destruição da infraestrutura, do esfacelamento das famílias, da maciça dose de pessimismo, desânimo, desalento e desesperança que atinge as populações envolvidas na maior prova da insensatez humana.
E quando Leão XIV prega a paz, é ameaçado de mordida por um cão raivoso que não foi vacinado. O mundo anda mal mesmo. Chego a pensar que não é utopia acreditar que o Criador esteja arrependido de sua obra. O projeto humano terá sido um retumbante fracasso?
Oremos para que assim não seja. Para que o juízo se instale na cabeça dos violentos. Por que não aceitar aquela ideia de que guerra deve ser uma luta pessoal entre os chefes dos países em briga? Por que envolver o povo naquilo que só interessa a eles mesmos, ávidos de poder, ambiciosos, egoístas e criminosos?
(*) É Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.