Luigi Polezze
Na penúltima semana de maio, Araraquara foi palco de uma intensa mobilização de servidores públicos municipais, que protestam contra a proposta de atualização salarial apresentada pela Prefeitura. Desde a terça-feira (20), funcionários do município vêm se manifestando em frente ao Paço Municipal e à Câmara de Vereadores, em um movimento que ainda está longe de chegar ao fim.
O estopim do conflito foi a apresentação, pela Prefeitura, de um projeto de reajuste salarial sem a devida construção e diálogo com o Sindicato dos Servidores Municipais de Araraquara e Região (SISMAR), que desejavam maior transparência sobre os valores e possibilidades de reajuste. O questionamento que ficou foi: porque o Executivo não mostrou as contas? De acordo com o SISMAR, todo o movimento poderia ter sido evitado se houvesse mais transparência na negociação.
A primeira proposta causou revolta entre os trabalhadores, principalmente por incluir a retirada de um abono mensal de aproximadamente R$ 200, considerado ilegal pela Justiça. A medida foi interpretada como uma “redução salarial disfarçada”, ainda que juridicamente respaldada.
Na mesma terça-feira, durante sessão na Câmara, foi confirmado que a proposta não sofreria alterações. Contudo, dois dias depois, na quinta-feira (22), o prefeito convocou uma coletiva de imprensa para apresentar uma nova proposta ao sindicato: instituir um piso mínimo de R$ 2.300 para os servidores que ganham abaixo desse valor, e conceder um reajuste de aproximadamente 5% (correspondente à inflação) para os demais.
Apesar do avanço, a nova proposta também não agradou por completo. Embora o novo piso beneficie parte dos servidores, a perda dos R$ 200 mensais segue afetando uma parcela considerável dos trabalhadores que ganham acima do novo valor mínimo. A insatisfação, portanto, persiste.
Em um gesto simbólico de apoio à causa dos servidores, a Câmara Municipal decidiu paralisar suas atividades legislativas como forma de protesto. Nenhum projeto de lei será discutido ou votado enquanto a situação não for resolvida, um movimento incomum que escancara a gravidade e a tensão do momento.
Na manhã desta sexta-feira (23), uma nova assembleia seria realizada em frente à Prefeitura para deliberar sobre a proposta mais recente. No entanto, ela não foi feita, desagradando vários servidores que gostaram da proposta que subiria o piso salarial. O SISMAR comentou que “não fizemos a votação sobre o segundo projeto em busca de uma terceira opção que contemple todos os servidores e para não haver disputas”.
A crise ainda não chegou ao fim, às 16h ocorre reunião para outra negociação. O Jornal de Araraquara seguirá acompanhando os desdobramentos desta mobilização que impacta diretamente a vida de milhares de servidores e da população da cidade.
