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Frio à vista

Luiz Carlos Amorim (*)

O inverno ainda nem chegou, pois estamos no final de maio, começando junho. É, estamos no outono, mas o frio já está aqui.

Aquele tempinho bom de colocar uma roupa quentinha e elegante, fazer pão em casa e deixar aquele cheirinho delicioso tomar a casa inteira, junto com o cheiro do café feito na hora, aquelas sopas maravilhosas que em outras épocas a gente não tem oportunidade de degustar, o chá perfumado e fumegante, quentão, etc., etc.

Dias de se aconchegar com os nossos entes mais queridos, com a família, com os amigos, pois na casa da gente ou na casa dos outros, é muito bom nos reunirmos, nos aproximarmos mais. Tempo de colocar todos à volta da mesa para convivermos mais, convivermos mais, nos aproximarmos mais.

O frio antecede a sua estação, chega com ele o tempo da tainha a gente já começa a comer aquele peixe delicioso, o prato principal do inverno, tradicional aqui em Santa Catarina, talvez até no Brasil Os cardumes começam a chegar em maio, e daí pra diante são pescadas toneladas. Já disse em outra oportunidade que inverno sem tainha não é inverno e o fato de ter esfriado nos traz a presença, em altas doses, da vedete das nossas mesas nos dias frios do litoral.

Até o manacá-da-serra, o jacatirão de inverno, já está florescendo lindamente, desde o começo de maio, ainda que o tempo dele seja junho, julho. Tenho visto pés de manacá-da-serra pejados de botões, uma abundância de promessas de cores no nosso inverno.

Mantas, cobertores, casacos, meias e, quem sabe, luvas, cachecóis, botas, todos a postos. Já usei, este ano, o casacão pesadão que só usava na Europa. O inverno está aí. E as cores também. Porque inverno não quer dizer ausência delas, vejam a quantidade de flores que temos na estação dos galhos secos por causa do frio: temos jacatirões (manacás-da-serra), azaleias, flamboiãs, ipês, bouganvílias, cerejeiras japonesas, orquídeas, cravos, begônias, lírios, gérberas, camélias, magnólias, etc., etc. O inverno é aconchegante e colorido. Inverno é vida.

Meu jacatirão de inverno que estava plantado no meio do jardim morreu, depois de grande floradas. Eu o podei porque estava enorme, mas devo ter feito alguma coisa errada, infelizmente. Mas o novo está crescendo e logo florescerá. E suas flores se juntarão às dos hibiscos, das azaleias e outras flores do meu pequeno jardim, em um inverno próximo. Não tenho pressa. O inverno sempre volta. As cores também.

(*) É escritor, editor e revisor – Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, com 46 anos de trajetória, editor das Edições A ILHA, que publicam as revistas SUPLEMENTO LITERÁRIO A ILHA e ESCRITORES DO BRASIL. Cadeira 19 da Academia Sulbrasileira de Letras, cadeira 19 da Academia Desterrense de Literatura. e-mail – revisaolca@gmail.com

Foto Ilustrativa Freepik

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