São aos menos 85 mil pessoas de férias coletivas, especialmente nos setores automotivo e eletrônico, que encheriam um "Maracanã" nesta Copa das Copas. A pior leitura: central sindical teme que próxima etapa seja início de demissões.
Cristina Camargo e Lucas Sampaio (Folha de S.Paulo) oferecem a notícia para reflexão geral. Os trabalhadores, na delicada situação de "férias coletivas", ficam assim nas próximas semanas o que vale dizer, ficarão estressados.
Na Ford, por exemplo, são cerca de 10 mil em férias. A montadora fala em ajuste no “nível de produção à demanda do mercado” e no estoque.
De acordo com o último balanço da Anfavea (Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores), a produção de veículos nos cinco primeiros meses do ano recuou 13,3% em relação a 2013.
Coincide com a Copa do Mundo, mas, o descanso imposto pelas empresas aumenta o estresse dos trabalhadores. O certo é que a economia brasileira precisa de novos rumos defende parte dos agentes econômicos que ainda têm tempo para pensar.
No setor eletroeletrônico, a Whirlpool, das marcas Brastemp, Consul e KitchenAid, é uma das empresas a optar pelas férias coletivas. Serão 14 dias (de 12 a 25 de junho) para 5.000 funcionários da área administrativa de todas as unidades no Brasil. “Foi uma solução para que os funcionários possam ver os jogos e a empresa não tenha perdas”, diz, em nota.
Para o pesquisador José Dari Krein, do Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho, da Unicamp, há margem das indústrias para essas férias coletivas, diante da economia fraca e dos altos estoques. “Isso acontece em todos os anos de Copa. As empresas criam um mecanismo de compensação e ajustam a sua produção.”
Preocupação
Para os trabalhadores a parada obrigatória não é bem-vinda. “Ficamos inseguros. Muitas empresas falam que as férias coletivas são a primeira medida. Depois podem demitir”, afirma Miguel Torres, presidente nacional da Força Sindical.
A Folha de S.Paulo certamente vai continuar a focar esse drama social…