Colaboração: Cintia Alves
Há fotografias que guardamos em porta-retratos, outras em álbuns antigos e algumas que permanecem esquecidas na galeria do celular. Mas existem aquelas que carregamos em um lugar onde nenhuma câmera consegue alcançar: dentro de nós.
Fotografias são curiosas. Congelam um segundo que jamais voltará a existir. Um sorriso espontâneo, um abraço apertado, uma tarde qualquer que, sem sabermos, se tornaria uma das lembranças mais preciosas da nossa vida.
O mais intrigante é que ninguém nos avisa quando estamos vivendo um momento que, um dia, será motivo de saudade.
Não sabemos qual será a última fotografia ao lado de alguém, o último aniversário reunido em família ou a última vez que ouviremos aquela risada tão familiar. Simplesmente vivemos, acreditando que haverá outras oportunidades.
Até que o tempo, silenciosamente, nos ensina que nem tudo se repete.
Às vezes, encontramos uma fotografia antiga e sorrimos. Em outras, precisamos respirar fundo para impedir que uma lágrima escorra. E talvez seja justamente essa a beleza das fotografias: elas nos permitem reencontrar, por alguns segundos, aquilo que a vida já levou para longe.
Uma fotografia não registra apenas rostos. Registra sentimentos, histórias, sonhos e versões de nós mesmos que já não existem da mesma maneira.
Olho para algumas imagens e percebo que a pessoa que sorria naquela época não imaginava quantas coisas ainda precisaria enfrentar. Não conhecia determinadas dores, despedidas ou mudanças. Mas sorria. E aquele sorriso continua ali, intacto, mesmo depois de tantas tempestades.
Talvez crescer seja também aprender a olhar para o passado sem desejar morar nele.
É compreender que algumas pessoas permanecem apenas nas fotografias, mas nunca deixam de existir nas nossas lembranças. Que determinados abraços não podem ser repetidos, mas continuam aquecendo a alma quando fechamos os olhos
E, quando a saudade apertar, permita-se sentir. Deixe a lágrima rolar. Nem toda lágrima representa tristeza; algumas são apenas o amor procurando um lugar para descansar.
No fim, descobrimos que fotografias não têm o poder de impedir a passagem do tempo. Elas apenas nos lembram de que, apesar de tudo o que passou, houve beleza. Houve amor. Houve vida.
E talvez a maior tristeza não esteja em olhar para uma fotografia e sentir saudade, mas em perceber que, enquanto aquele instante acontecia, não sabíamos o quanto éramos felizes.
Por isso, fotografe. Mas também abrace, converse, ria, ame e esteja presente. Porque um dia, quando a memória procurar abrigo, talvez seja justamente uma dessas pequenas cenas que fará seu coração sorrir novamente.
O tempo leva os instantes. As fotografias guardam as imagens. Mas é o amor que torna algumas lembranças eternas.