Dor crônica generalizada atinge cerca de 3% de toda a população brasileira
O Dia Mundial de Conscientização sobre a Fibromialgia, celebrado em 12 de maio, reforça uma luta de milhões de pessoas em todo o planeta que, todos os dias, precisam lidar com dores que impactam, de maneira crônica, a qualidade de vida. Segundo uma estimativa da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), cerca de 2,5% da população mundial é afetada pela doença, em especial mulheres entre 30 e 50 anos de idade.
A fibromialgia é uma síndrome de dor crônica generalizada que gera dor musculoesquelética difusa e sintomas associados, como fadiga persistente, distúrbios do sono, alterações cognitivas e até mesmo aspectos de ansiedade, depressão e problemas gastrointestinais. A sobreposição com outras condições e a ausência de marcadores laboratoriais específicos tornam o diagnóstico predominantemente clínico.
No Brasil, de acordo com levantamento do Ministério da Saúde baseado em dados da SBR, 3% da população brasileira convive com a fibromialgia. Considerando a população estimada pelo IBGE em aproximadamente 213 milhões de habitantes em 2025, o percentual equivale a cerca de 6,4 milhões de brasileiros portadores da doença.
Carlos Trindade, coordenador de pós-graduação de Clínica em Dor da Afya, a serviço da Afya Educação Médica Curitiba, explica quais são os principais sintomas da fibromialgia, as formas de diagnóstico, tratamento e convivência com os efeitos da doença no dia a dia.
Quais são os primeiros sinais que a pessoa deve prestar atenção, que podem ser o princípio de uma fibromialgia?
“Ela começa com sinais que parecem desconexos e justamente por isso são ignorados por anos. Os principais marcadores são o sono não restaurador (a pessoa dorme oito horas e acorda exausta), fadiga desproporcional, dor muscular que muda de lugar a cada semana, rigidez matinal que melhora com o movimento e algo que os pacientes chamam de névoa mental: dificuldade de concentração, lapsos de memória e sensação de ‘câmera lenta’.
Quando os sintomas começam a se sobrepor de forma persistente, especialmente em momentos de estresse físico ou emocional, é sinal de que o sistema nervoso central começou a processar a dor de forma amplificada, o que chamamos de sensibilização central, quando o cérebro deixa de ser um receptor passivo de estímulos e passa a gerar a experiência dolorosa por conta própria. O erro mais comum, aqui, é tratar cada sintoma de forma isolada, pois a fibromialgia é uma desregulação integrada e precisa ser lida assim desde o início”.
Como funciona o diagnóstico e qual deve ser o entendimento do paciente sobre essa “nova rotina”?
“Não existe exame de sangue ou imagem que feche o diagnóstico, isso é algo que o paciente precisa entender. Ele se baseia em alguns critérios do Colégio Americano de Reumatologia, que avaliam a distribuição da dor pelo corpo, a duração mínima de três meses dos sintomas e a presença de manifestações como fadiga, distúrbio do sono e sintomas cognitivos.
O diagnóstico real, que muda o curso do tratamento, é a investigação sistêmica do que mantém o sistema nervoso sensibilizado: meta-inflamação de baixo grau, deficiências nutricionais que afetam neurotransmissão (vitamina D, magnésio, ômega-3), disfunção mitocondrial, eixo intestino-cérebro alterado, sobrecarga psicoemocional crônica. A fibromialgia não é uma condição psicogênica — é uma condição biológica com expressão integrada”.
Existe cura para a fibromialgia? Se não, como funciona o tratamento, tanto medicamentoso quanto terapias/atividades?
“O paciente precisa entender que, quem espera um remédio resolver, não melhora. A fibromialgia exige uma reorganização do estilo de vida, não um remédio diário: sono regular e profundo, atividade física graduada, nutrição anti-inflamatória, manejo do estresse e suporte multiprofissional. Cura, no sentido clássico, não existe; o que existe é a remissão clínica sustentada, na qual pacientes bem tratados podem passar anos com sintomas mínimos ou ausentes.
O tratamento se sustenta em frentes integradas, não em uma única intervenção. Na medicamentosa, o papel é pontual, com antidepressivos duais, anticonvulsionantes específicos e moduladores de sono. Na frente comportamental, atividade física regular e de baixo impacto, regulação do sono, terapia cognitivo-comportamental e manejo do estresse. Já na frente metabólica e nutricional, é preciso corrigir deficiências nutricionais, reduzir inflamação sistêmica de baixo, dar suporte ao eixo intestino-cérebro e modular a resposta ao estresse via ritmo circadiano. São intervenções complementares.
Existe ainda uma frente intervencionista e tecnológica, com infusão venosa de medicamentos de ação moduladora sobre a sensibilização central, terapias com laser, ondas de choque, magnoterapia e neuromodulação”.
Sobre a Afya
A Afya, maior ecossistema de educação e soluções para a prática médica do Brasil, reúne 38 Instituições de Ensino Superior, 33 delas com cursos de Medicina e 25 unidades promovendo pós-graduação e educação continuada em áreas médicas e de saúde em todas as regiões do país. São 3.753 vagas de Medicina aprovadas pelo MEC e 3.643 vagas de Medicina em operação, com mais de 24 mil alunos formados nos últimos 25 anos. Pioneira em práticas digitais para aprendizagem contínua e suporte ao exercício da Medicina, 1 a cada 3 médicos e estudantes de Medicina no país utiliza ao menos uma solução digital do portfólio, como Afya Whitebook, Afya iClinic e Afya Papers. Primeira empresa de educação médica a abrir capital na Nasdaq em 2019, a Afya recebeu prêmios do jornal Valor Econômico, incluindo “Valor Inovação” (2023) como a mais inovadora do Brasil e “Valor 1000” (2021, 2023, 2024 e 2025) como a melhor empresa de educação. Virgílio Gibbon, CEO da Afya, foi reconhecido como o melhor CEO na área de Educação pelo prêmio “Executivo de Valor” (2023). Em 2024, a empresa passou a integrar o programa “Liderança com ImPacto”, do Pacto Global da ONU no Brasil, como porta-voz da ODS 3 – Saúde e Bem-Estar. Mais informações em: www.afya.com.br e ir.afya.com.br.
(Assessoria de Imprensa | Afya Educação Médica Curitiba)