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Estamos perdendo nossos rios

José Renato Nalini (*)

Ainda temos alguns rios, mas eles já não são cursos d’água. Nós, os humanos, os convertemos em condutos de água contaminada e de imundície que produzimos.

O IQA – Índice de Qualidade da Água é produzido pelo programa “Observando os Rios” e o número de rios da Mata Atlântica com água de qualidade boa caiu em 2025. Uma sensível piora, em relação a 2024.

A falta de saneamento é o principal obstáculo para a melhoria desse quadro. O cenário é de estagnação em patamar negativo nos últimos anos.

Foram realizadas 1.209 análises em 128 rios e corpos d’água, localizados em 86 municípios de 14 Estados. Dos 162 pontos monitorados, apenas 5 tiveram classificação boa. Isso significa que só 3,1% de nossos rios podem ser considerados cursos d’água natural.

Para a realização desse trabalho, a SOS Mata Atlântica recorreu a 133 grupos voluntários. Não foi uma boa notícia para divulgação em 22 de março, Dia Mundial da Água.

A regra, no Brasil, tem sido a negligência no trato do saneamento básico, pois são obras dispendiosas que não despertam o entusiasmo dos eleitores. Ficam sob a terra. Não aparecem como as demais construções. Mas o Poder Público não desconhece que investir em saneamento básico é poupar dinheiro em saúde, internações, perda da produtividade por ausência no trabalho e outros males perfeitamente mensuráveis.

País prolífico em normatização, o Brasil tem um “Marco Legal de Saneamento”, que implica em oferta de água potável para 99% da população e coleta e tratamento de esgoto para 90% até 2033.

A cidadania precisa estar a par desses problemas. Não só para fiscalizar, exigir o cumprimento das obrigações da concessionária, agora privatizada com a promessa de eficiência, mas também para conscientizar a população. A produção de resíduos sólidos, antigamente chamados “lixo”, é um fator que deteriora a água de nossos rios, tornando-a inviável para dessedentar os humanos. Mais educação ambiental é uma urgência urgentíssima. O custo da imundície é astronômico e suportado por todos.

(*) É Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

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