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Eremoceno

(*) José Renato Nalini

O excesso de informações teve de estancar. Planeta em quarentena.

Muitas as lições, a primeira é aceitar a fragilidade humana. Onde a arrogância, onipotência e a onisciência num momento em que o vírus não escolhe vítimas. A segunda, para nós brasileiros, é lamentar que um país de miseráveis tenha destinado tanto dinheiro para construir arenas desportivas, hoje, em completo abandono em lugar de edificar hospitais, investir em pesquisa e levar a sério a ciência.

Custará muito caro a conjugação de imprevidência, de omissão e de irresponsabilidade criminosa. O que acontecerá com os desvalidos? Aqueles que se acotovelam em exíguos espaços? Já desprovidos de saneamento básico, de condições de salvaguarda, sejam materiais, sejam culturais. Pois a educação pública, sustentada por vultosas quantias subtraídas a um povo que vê crescer o número dos desempregados, dos sem teto não se preocupa senão em fazer o estudante decorar inutilidades. Nada que sirva para a sobrevivência digna.

Para quem pode, retrair-se não é uma tragédia.

Propicia uma reflexão a respeito do egoísmo e do consumismo insensível às necessidades do semelhante. É a Era da Solidão, o Eremoceno. Oportunidade para indagar se isso não é sinal do nosso descaso em relação à natureza e ao destino de todos os demais viventes.

Para os religiosos, sinal do Apocalipse, que profetiza muitas catástrofes recaindo sobre a cruel humanidade. Para os céticos, a natural e gradual extinção de todas as formas de vida sobre o planeta. Prosseguimos a exterminar a biodiversidade, sem respeito algum à flora e à fauna. Teria chegado a hora da culminância, com a aniquilação do sapiens?

(*) É docente da Pós-Graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS.

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