A azia é uma das razões mais comuns para as pessoas procurarem ajuda médica. Alguns médicos costumam usar a endoscopia digestiva alta para diagnosticar e tratar a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE). No entanto, segundo um novo documento (produzido pela American College of Physicians ACP) de orientação clínica baseada em evidências, a maioria dos pacientes não necessita realizar o procedimento, a menos que outros sintomas graves estejam presentes.
De acordo com os pesquisadores, as evidências indicam que a endoscopia digestiva alta é indicada para pacientes com azia somente quando acompanhada de outros sintomas graves, como dificuldade ou dor ao engolir, sangramento, anemia, perda de peso ou vômitos recorrentes. O procedimento não é o primeiro passo necessário no tratamento da maioria dos pacientes com azia.
As novas diretrizes recomendam que a triagem com endoscopia digestiva alta não deve ser realizada rotineiramente em mulheres de qualquer idade ou em homens com menos de 50 anos com azia porque a incidência de câncer é muito baixa nestas populações.
Segundo o gastroenterologista Silvio Gabor (CRM-SP 47.042), a endoscopia é um método de investigação de doenças do sistema digestivo. Ela é complementar ao exame clínico realizado pelo médico. "Há dois tipos: a primeira é chamada endoscopia digestiva alta, visualiza o esôfago, o estômago e as primeiras porções do intestino delgado. A segunda é conhecida como colonoscopia, que proporciona a observação do reto e cólon, que é o intestino grosso".
"A endoscopia é indicada em pacientes com azia que não respondem aos medicamentos usuais (inibidores da bomba de prótons) para reduzir a produção de ácido gástrico por um período de quatro a oito semanas ou que têm uma história de estreitamento ou aperto do esôfago com dificuldade ou dor ao engolir", explica o médico.
"Já a indicação inadequada da endoscopia digestiva alta não melhora a saúde dos pacientes, pelo contrário, os expõe a danos evitáveis que podem levar a intervenções desnecessárias adicionais, e resulta em custos desnecessários com nenhum benefício”, defende o gastroenterologista. (www.marciawirth.com.br)