O agente político que constrói a sua base, com sabedoria e persistência, de repente sente-se compelido a buscar uma cadeira do Executivo. De chefe mesmo, a fim de governar a sua cidade, atender às reivindicações de sua gente, enfim, fazer o que os outros pensaram em realizar, prometeram e só enrolaram nos quatro anos.
Finalmente tudo de bom e o bonde… olhe lá, está passando. Agora ou nunca. Claro, agora. Com apoio de alguns empresários-doadores, um sem número de amigos e o máximo de candidatos a vereador porque cada um é excelente cabo-eleitoral, sem dinheiro à vista.
Com reuniões incalculáveis, muito café frio e jantar por até três vezes numa noite só (e como diria um ex-candidato de bom humor: sempre sorrindo e elogiando a comida embora correndo o risco de mais um prato cheio para saciar a vontade demonstrada com tanto entusiasmo) e muita sola de sapato para apertar mãos e se colocar a serviço do eleitor. Eu serei você naquela cadeira. Pois é… as urnas eletrônicas, sem a mesma emoção da cédula de papel que permitia a soma voto a voto, rapidamente dão o resultado. Você ganhou. Oba! Parabéns e muitos tapinhas nas costas. E põe tapinha nisso, mas, não reclame porque no final do mandato você vai sentir a síndrome da saída, da ausência, do conjunto vazio, o pessoal que vai embora de leve e com sorriso amarelo para dar tapinha no outro… o vencedor que está chegando. Bem, vamos retomar a sua vitória. Por que sofrer antes da hora, afinal a cada dia basta o seu mal. Festivamente você é o novo prefeito.
De tudo o que será arrecadado vai sobrar uma fatia de 5% para fazer o que você sonhou e o seu eleitorado pediu. Agora, se não tiver canal interligando ao Governo Estadual e Federal você será mais um político pichado no amanhã.