Araraquara comemora neste sábado, dia 22, seus 209 anos de fundação.
Uma data que deveria ser apenas de festa, mas que também nos convida à reflexão. Araraquara já foi motivo de enorme orgulho para seus filhos: uma cidade reconhecida pela limpeza, pela arborização, pelas praças bem cuidadas e pela qualidade de vida. Hoje, infelizmente, encontramos uma realidade diferente, marcada por ruas que precisam de manutenção, praças deterioradas, prédios abandonados e estabelecimentos comerciais fechados.
Depois das administrações de Waldemar De Santi e Roberto Massafera, a cidade, em nossa avaliação, atravessou um longo período de deterioração e perdeu parte do protagonismo que já teve.
A atual administração tenta colocar Araraquara novamente nos eixos. Mas a tarefa não é simples. A dívida acumulada ao longo de diferentes administrações limita a capacidade de investimento do município e exige escolhas difíceis.
Araraquara chegou a ser enquadrada no artigo 167-A da Constituição Federal, diante do elevado comprometimento das receitas com despesas. O município chegou a comprometer cerca de 99,86% de suas receitas. Hoje, esse índice teria recuado para 96,88%, ainda acima do patamar de referência de 95,99%.
É pouco? Talvez. Mas é um começo.
O caminho percorrido até aqui apresenta sinais de mudança: as receitas cresceram e os gastos começaram a diminuir. E, quando se pretende recuperar uma cidade que atravessou dificuldades financeiras, não existe mágica. É preciso planejamento, responsabilidade e, sobretudo, escolhas.
E algumas dessas escolhas são inevitavelmente impopulares.
Um exemplo está justamente nas comemorações dos 209 anos. O araraquarense, acostumado durante anos a grandes shows e eventos, pode sentir falta das programações de outros tempos. As críticas, certamente, surgirão.
Mas precisamos fazer uma pergunta: queremos festas grandiosas agora ou uma cidade melhor amanhã?
É preciso recuperar ruas, tapar buracos, limpar praças e áreas públicas, cuidar da arborização, recuperar prédios e espaços públicos e melhorar a estrutura da saúde, incluindo as UPAs. Tudo isso custa dinheiro — e dinheiro público não é infinito.
Não podemos repetir modelos administrativos que contribuíram para levar o município à situação atual. Se a cidade precisa apertar o cinto para recuperar sua capacidade de investimento, que assim seja.
Araraquara não perdeu sua história, sua força e muito menos o potencial que sempre teve. Recuperar o orgulho de seus moradores, entretanto, exige trabalho, responsabilidade, planejamento e, principalmente, tempo.
209 anos não se resumem a um aniversário. São 209 anos de história, conquistas, dificuldades e esperança.
Que esta nova fase represente o início da reconstrução de uma cidade que já foi chamada de orgulho de seus filhos.
Parabéns, Araraquara!
Que você volte a ser, cada vez mais, a menina dos olhos e o orgulho de todos os araraquarenses.