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(EDITORIAL) Jornalismo já não é mais o mesmo

Muitas pessoas se perguntam atualmente: em quem confiar? Além daqueles que estão mais próximos, como a própria família?

Não é apenas o Brasil que atravessa momentos difíceis. Em várias partes do mundo, cresce a sensação de insegurança e desconfiança, tanto em relação à classe política quanto aos próprios meios de comunicação.

Nas décadas de 1980 e 1990, por exemplo, o jornalismo investigativo era marcado pela busca de diferentes versões antes da publicação de uma denúncia ou fato relevante. Quando surgia uma acusação contra um político, uma instituição ou qualquer figura pública, havia o compromisso de ouvir todos os lados envolvidos, reunir informações e permitir que a população formasse sua própria opinião a partir dos fatos apresentados.

Hoje, muitos leitores e telespectadores sentem que esse modelo se enfraqueceu. Em diversos casos, percebe-se uma inclinação ideológica ou uma aparente torcida por determinados lados, quando o verdadeiro papel do jornalismo deveria ser o da independência, da responsabilidade e da imparcialidade.

Além do mais, com a ascensão das redes sociais, qualquer pessoa consegue divulgar sua voz e sua opinião, sendo ela fundamentada ou não. A “liberdade total” é boa por garantir acesso a comunicação para um maior número de pessoas, entretanto, a qualidade da informação também se diluiu.

Não é somente em redes sociais ou jornais mais, em canais de televisão abertos e fechados, se tornou comum nos depararmos com um grande volume de publicidade institucional. Esse tema frequentemente gera debates sobre a relação entre veículos de comunicação e verbas públicas, já que tais recursos são provenientes dos impostos pagos pela população.

Diante desse cenário, torna-se cada vez mais importante que o cidadão mantenha senso crítico diante das informações consumidas diariamente. Buscar diferentes fontes, analisar contextos e evitar conclusões precipitadas são atitudes fundamentais em tempos de excesso de informação e polarização.

A notícia deve servir para informar. A interpretação e as conclusões pertencem ao público, que precisa ter liberdade para refletir sem ser induzido a pensar de determinada maneira.

Foto Ilustrativa Freepik

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