Economia Real

Antonio Delfim Netto (*)

Está chegando a hora de voltarmos toda a nossa atenção ao lado real da economia, de pensar os problemas da economia física, da qual todos nós dependemos. O governo do presidente Lula tem agido de forma inteligente, administrando com cautela a crise financeira e de confiança que herdou de seu antecessor. Não criou originalidades, nem se preocupou em se diferenciar da política econômica que hoje é praticada na maioria dos países. Está tendo sucesso, obtendo a confiança interna e recuperando a credibilidade externa. O ajuste fiscal está sendo aprofundado na forma correta, com o corte da despesa pública, o risco Brasil cai lá fora e os papéis brasileiros se valorizam.

A economia real vai mal, no entanto. Basta observar o comportamento da produção industrial, em queda nesta primeira quadra do ano. Até agora, o sucesso no campo financeiro não criou um emprego novo, não produziu um prego a mais. Todos sabemos que os problemas da economia real só vão começar a ser atacados quando se abrir o espaço para a queda das taxas de juro. Acredito que este espaço está sendo construído, pois a inflação dá sinais bastante evidentes de que está em queda e com jeito que se trata de um movimento monotônico. Aproxima-se portanto o momento em que vamos poder mexer na variável mais importante que é o juro real.

A partir desse ponto, temos que estar preparados para recuperar o tempo desperdiçado no governo passado, quando o Brasil se recusou a praticar políticas de estímulo ao setor industrial. Perdemos oportunidades extraordinárias de crescimento e deixamos de aumentar os investimentos no setor exportador porque economistas de cabeça dura acreditavam que o mercado era capaz de resolver tudo. Durante seis anos, no governo FHC, eles repetiram a cantilena que “era muito difícil escolher os vencedores” … e na verdade escolheram os perdedores. Os “vencedores” estão no setor financeiro e os perdedores no setor produtivo.

É absolutamente fundamental voltarmos a ter uma política industrial para aproveitar as vantagens comparativas que nos dão maior poder de competição. Vantagens comparativas podem (e devem) ser criadas, sem nenhum prejuízo aos demais setores da economia, como ficou demonstrado com o Moderfrota que financiou nesses dois últimos anos as vendas de máquinas agrícolas. A expansão da produção de grãos, com forte aumento de produtividade e o crescimento das exportações da agropecuária evitaram um novo desastre cambial ao final do governo FHC. E quando fazemos as contas do programa, vê-se que o aumento da arrecadação tributária no setor e mais as receitas dos impostos dos produtos agrícolas superam o valor do incentivo do crédito que possibilitou a venda das máquinas .

Não devemos, portanto, ceder à crítica fácil que todo subsídio é prejudicial à economia. O que ela revela é uma atitude preconceituosa e uma enorme preguiça de trabalhar pelo desenvolvimento do país.

(*) E-mail: dep.delfimnetto@uol.com.br

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