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Do sonho à realidade, navegando na educação

Sonia Maria Duarte Grego, convidada da Sarah Coelho para compor uma história de vida, fez o curso de graduação em Pedagogia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Rio Claro, hoje Instituto de Biociências da Unesp. Iniciou a sua formação científica como monitora da disciplina de Didática. Primeiro, especialização em Didática e em seguida o doutorado. Não fez mestrado porque uma banca indicada pelo Conselho Estadual de Educação a julgou apta a realizar o doutorado direto. Em 1991, fez o concurso para Livre Docente pela Unesp. Concluiu três Pós-doutorados. O primeiro no Institute of Higher Education da Universidade da Georgia, nos Estados Unidos, na área de Educação Superior; no segundo realizado na Unicamp, como primeiro bolsista de Pós-doutorado em Educação do CNPq, no país, especializando-se na área de avaliação educacional e, no terceiro, desenvolvido no Institute of Education da Universidade de Londres, Inglaterra quando aprofundou seus estudos na área de avaliação institucional. Com essa bagagem, responde ao JA.

Qual a sua trajetória e as dificuldades profissionais?

SMDG- Comecei minha carreira como auxiliar de ensino voluntária na Faculdade de Ciências Médicas e Biológicas de Botucatu (hoje Campus da Unesp). Realizava na época especialização em Didática e o Supervisor do Setor Básico da Faculdade me convidou para ajudar na estruturação da parte pedagógica do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas, que estava se iniciando. Terminada a especialização prestei concurso para a disciplina de Didática junto ao Departamento de Pedagogia (hoje Departamento de Educação) do Campus de Botucatu, onde tive a oportunidade de iniciar e desenvolver quase toda a minha carreira acadêmica. No início os desafios foram muitos, além das atividades de docência, pesquisa, extensão e gestão, nós assumimos, como docentes da área pedagógica, a função de oferecer um serviço de orientação didático-pedagógica aos docentes da Faculdade.

De 1990 a 1996 participei também como docente do Programa de Pós Graduação em Educação da Faculdade de Filosofia e Ciências do Campus de Marília. Em 1995 fui convidada pela Profª. Drª. Alda Junqueira Marin para participar do Programa de Pós graduação em Educação Escolar e, em 1996 para prestar concurso no Departamento de Didática da Faculdade de Ciências e Letras do Campus de Araraquara. Prestei o concurso e em maio de 1996 iniciei minhas atividades nesse campus, em tempo integral, fixando residência em Araraquara.

Você pergunta sobre dificuldades, prefiro falar em desafios, que não só no início, mas ao longo de toda carreira sempre me estimularam a dar o melhor de mim. Sabe, embora a carreira universitária exija dedicação e muitas vezes sacrifício da vida pessoal, me sinto uma privilegiada, pois adoro ensinar, pesquisar e orientar jovens pesquisadores. Para mim cada curso que se inicia, cada projeto de pesquisa, extensão ou institucional, cada orientação de mestrado ou doutorado é um novo desafio a exigir estudo e dedicação.

Quais suas funções atuais na Unesp?

Sou Professora Adjunto do Departamento de Didática da Faculdade de Ciências e Letras do Campus de Araraquara. Na graduação sou responsável pela disciplina de Didática do Curso de Licenciatura em Química. Na Pós- graduação em Educação Escolar sou orientadora de mestrado e doutorado e ministro a disciplina “Avaliação como instrumento político-pedagógico da educação escolar”. Nos programas de Pós-graduação em Ciências Farmacêuticas, Odontologia e Biotecnologia, todos do Campus de Araraquara – Unesp, ministro a disciplina de “Didática Aplicada ao Ensino Superior”. Sou também membro da Comissão Permanente de Avaliação da Unesp junto à Reitoria, membro do Grupo de Pesquisa em Avaliação Educacional, membro do Grupo de Trabalho em Política da Educação Superior da ANPED (Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Educação), além de atuar como assessora e parecerista ad hoc de agências de fomento à pesquisa e revistas especializadas na área. Atualmente somos muito cobrados quanto a nossas publicações. Um professor de pós graduação deve publicar pelo menos quatro trabalhos por ano, de preferência em revistas qualis A.

Como vê o empenho dos professores e sua desvalorização profissional?

Eu acredito muito na educação e na capacidade e compromisso dos professores e os dados de Geografia da Educação Brasileira, elaborado pelo MEC, mostrando a crescente demanda por educação em todos os níveis, da escola fundamental à universidade, nos dão evidências concretas de que a sociedade em geral nunca deixou de valorizar a escola e o professor. Da mesma forma, se consultarmos as pesquisas recentes e a mídia nos convenceremos da dedicação e compromisso dos professores com a qualidade de formação de seus alunos.

O problema é que no contexto de uma política de orientação neoliberal, que prega o Estado Mínimo na oferta de serviços, no caso o educacional, é de interesse desqualificar o ensino público, e em consequência o profissional que nele atua, apontando-o, muitas vezes, equivocadamente, como responsável pela má qualidade da educação.

Vou dar um exemplo concreto desse equívoco. No ano de 2003, 42,29% dos alunos que ingressaram na Unesp tiveram toda ou maior parte de sua formação de ensino médio na escola pública. Isso considerando todas as áreas de conhecimento e cursos em conjunto.

Se considerarmos somente a área de humanas, a porcentagem de alunos ingressantes que estudaram em escola pública sobe para 52%, ou seja, a maioria absoluta. E o sucesso desses jovens é mérito da escola pública e do trabalho dedicado de seus professores e funcionários.

Esses números têm um duplo significado. De um lado evidenciam a relevância social da política de igualdade de acesso ao ensino público superior da Unesp baseada, entre outras coisas, no respeito ao currículo oficial da educação básica. Por outro lado, nos mostram que a escola pública pode oferecer formação básica de qualidade para todos os jovens, mas para isso precisamos não somente acreditar, mas fazer investimentos em recursos instrucionais, laboratórios de ciências (de biologia, química e física no ensino médio), de informática e também se pensar na contratação de técnicos para auxiliar nas aulas práticas, além de cuidar da gestão e da cultura organizacional da unidade escolar. Ter bons professores é extremamente importante, mas não suficiente para garantir o sucesso ou fracasso dos alunos, porque eles são apenas co-responsáveis pela qualidade da educação ofertada.

Há atualmente maior consciência da necessidade de uma educação continuada através de especialização e Pós-graduação. Quais os critérios e possibilidades para conseguir uma Pós-graduação na área de educação na Unesp?

Os jovens têm maior consciência da necessidade de aperfeiçoamento e especialização para sucesso na vida profissional. A altíssima procura pelos cursos de especialização da Unesp e, em especial, pelo Programa de Pós-graduação em Educação Escolar, nível de mestrado, na FCL/CAr, aproximadamente 30 candidatos por vaga/ano, demonstra essa conscientização.

O processo seletivo do Mestrado envolve uma prova escrita, a análise do curriculum vitae e do pré-projeto de pesquisa apresentado pelo candidato e uma entrevista com três orientadores por ele indicados. As pessoas interessadas no processo de seleção e nos critérios de avaliação podem obter informações na Secretaria da Pós-graduação da Faculdade de Ciências e Letras.

Mensagem

Escolham uma profissão com a qual se identifiquem e que envolva atividades que gostem de fazer e tenham um projeto de vida, ou seja, tracem um caminho para a realização de seus sonhos e utopias. Essas são condições importantes para se obter realização e sucesso profissional e alcançar uma vida pessoal mais plena de significado. Se a profissão escolhida for o magistério, seja na educação básica ou superior é igualmente importante acreditar na capacidade do ser humano, ter confiança na capacidade de desenvolvimento pessoal, intelectual e social dos alunos, inclusive na capacidade de superarem os seus mestres.

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