A falta d’água é constatável em quase todos os lugares. A receita seria reflorestar ao menos parte das matas derrubadas. Se isso acontecesse a capacidade de armazenamento cresceria até 50%, segundo estudos da TNC – The Nature Conservancy que avalia custo de R$ 200 milhões para concretizar essa proposta. É óbvio que a resposta não seria imediata. Muito mais rápido foi destruir o verde que cercava rios, hoje convertidos em verdadeiro condutor de sujeira a atravessar tantas cidades. O replantio requer paciência, investimento, esforço. Mas seria algo duradouro, conforme se constata em várias partes do mundo. Como foi que Londres salvou o Tâmisa, Paris preserva o Sena e até o Danúbio volta a ser azul, como fruto de quem sabe que sem água não se pode viver?
A pesquisa da ONG internacional incidiu sobre cem cidades do Planeta. São Paulo e Recife são as metrópoles brasileiras que mais se beneficiariam dessa estratégia de recuperação das matas ciliares.
São Paulo poderia começar e dar exemplo. O maior centro de cérebros, de Universidades, de Hospitais, de grandes empresas, não pode continuar impassível diante da catástrofe que se avizinha. O “progresso” asfaltou ruas, enterrou cursos d’água e poluiu rios, que há algumas décadas ainda eram fontes de vida e riqueza. Não é impossível enfrentar essa ameaça, mas perfeitamente viável conclamar toda a lucidez a entrar de maneira corajosa numa cruzada de restauração da natureza. Não se indignar ante a maldade é se acumpliciar com os maus. Não custa tentar a reversão de expectativas e a mostrar às crianças que ainda nos restou um pouco de juízo. (José Renato Nalini é presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo)