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Conhecendo nossas entidades: Orfanato Renascer

Por Luigi Polezze

Fundado em 1994, o Orfanato Renascer nasceu de uma tragédia pessoal, mas transformou a dor em acolhimento para crianças em situação de vulnerabilidade. Ricardo Caparelli, líder da instituição desde sua origem, perdeu o filho em um acidente de moto em 1990. Junto a outros pais que enfrentaram perdas semelhantes, ele criou o grupo Renascer, que deu origem ao orfanato.

“Em homenagem aos filhos que partiram, decidimos ajudar crianças em situação de risco”, explica Ricardo. Com esforço coletivo, eventos beneficentes e doações, o grupo construiu a estrutura que hoje acolhe até 20 crianças, garantindo um atendimento de qualidade.

Referência para outras instituições

O trabalho do Orfanato Renascer tornou-se modelo para outras instituições, atraindo visitas de centros sociais de diferentes cidades. A instituição sobrevive graças a doações da comunidade e a repasses públicos limitados. “Recebemos R$ 2.500 do governo federal e cerca de R$ 3.800 do estado, mas nada diretamente do município”, relata Ricardo.

A captação de recursos também ocorre por meio de impostos de renda destinados ao Fundo da Criança e do Adolescente, bazares e bingos. “Somos sobreviventes. Cada um contribui um pouco e assim conseguimos manter nosso trabalho”, enfatiza.

Estrutura e funcionamento

O orfanato funciona em um modelo diferenciado, onde as crianças vivem em pequenas casas, sob os cuidados de mães sociais que trabalham em sistema de rodízio. O local conta com 32 funcionários, entre assistentes sociais, psicólogos e equipe administrativa.

A proposta é que as crianças levem uma vida similar à de uma família tradicional. “Elas frequentam a escola, fazem atividades extracurriculares, como balé e aulas de inglês, e participam de oficinas da comunidade”, explica Ricardo.

Nem todas as crianças são adotadas

Ao contrário do que muitos pensam, nem todas as crianças acolhidas estão disponíveis para adoção. O principal objetivo é reinseri-las em suas famílias biológicas, sempre que possível. Quando isso não ocorre, inicia-se um processo de adoção, que pode ser longo e burocrático.

“O que falta não são famílias dispostas a adotar, mas sim crianças dentro dos perfis desejados. Muitos preferem bebês ou crianças pequenas, o que torna o processo ainda mais demorado”, esclarece a assistente social da instituição.

Voluntariado e apoio da comunidade

O orfanato conta com voluntários que oferecem reforço escolar, atividades recreativas e outros serviços. Além disso, existe o programa “Tios do Passeio”, onde pessoas da comunidade levam crianças para passeios e momentos de lazer.

Porém, há uma restrição: quem está no cadastro de adoção não pode atuar como voluntário, evitando vínculos emocionais antes da aprovação do processo.

Trinta anos de dedicação

“Faço aquilo que gosto. Fico mais tempo aqui do que em casa”, confessa Ricardo, que se dedica ao orfanato há três décadas. Para ele, ajudar crianças foi a maneira que encontrou de transformar sua dor em algo positivo.

Como mensagem final, ele deixa um conselho: “Muitas pessoas só despertam para ajudar quando passam por algo doloroso. Mas se a consciência de ajudar vier antes, o mérito é ainda maior”.

Depoimento de Gilmar Margonar

“No ano de 1993, em dezembro, havia um grupo de pais que tinham perdido seus filhos e realizavam palestras para pessoas que passaram por situações semelhantes. Foi nesse contexto que surgiu uma ideia. Nosso eterno presidente, Ricardo Caparelli, propôs a construção de um orfanato.

No início de 1994, realizamos a primeira reunião, onde foi decidida a fundação dessa instituição. A placa de inauguração foi confeccionada e, em 17 de maio de 1998, entregamos a obra à cidade e recebemos as primeiras crianças, o que nos enche de orgulho.

A diretoria foi formada por pessoas que estiveram conosco nessa jornada. Alguns já partiram deste mundo, mas deixaram seu legado. Assim nasceu o Orfanato Renascer. Para mim, esse projeto foi um verdadeiro recomeço. Quando perdi meu filho, Vitor, senti que o chão havia desaparecido sob meus pés, e não sabia o que fazer. O primeiro contato com esse grupo me trouxe um novo entendimento e propósito.

Lembro que o Geraldo Polezze esteve presente na inauguração e fez muitas fotos daquele dia tão especial. Ele já nos deixou, mas sua presença marcou esse momento inesquecível. Fui tesoureiro praticamente o tempo todo em que estive envolvido com o projeto. Hoje, não faço mais parte da instituição, mas continuo em contato com eles, e a vida segue.

Agradeço pela oportunidade de falar sobre essa iniciativa tão especial e significativa para a cidade de Araraquara”.

Foto: Claudia, Erika, Viviane, Ana Paula, Amenedina, Magda e Ricardo.

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