Por Luigi Polezze
Em uma casa simples, mas repleta de fé e esperança, a Associação São Pio realiza, há 18 anos, um trabalho de transformação silenciosa e incansável na cidade de Araraquara. Fundada por Magda Regina Gomes Leite, mulher movida por um chamado desde a infância, a entidade acolhe homens e mulheres em situação de rua e dependentes químicos que desejam recomeçar a vida — com dignidade, espiritualidade e muito trabalho.
Magda conta que se inspirou no exemplo dos pais que sempre abriram a casa para ajudar pessoas em vulnerabilidade. “Meu pai pegava pessoas na estrada e levava para trabalhar na empresa. Eu cresci nesse ambiente de serviço e fé”, relembra.
Quem são os acolhidos?
A casa recebe pessoas sem vínculos familiares e que vivem nas ruas principalmente por conta da dependência química. “A rua oferece comida, roupa, dinheiro. Eles mesmos dizem que é difícil sair de lá porque tudo é fácil, mas isso destrói o ser humano”, explica a fundadora.
O acolhimento dura no mínimo nove meses — o mesmo tempo simbólico da gestação humana — com a proposta de que esse período seja suficiente para uma transformação profunda. “É um tempo de renascimento”, resume Magda.
Apesar de oferecer um espaço seguro e atividades terapêuticas, a Associação não é uma clínica médica. “Casos graves, com risco de suicídio ou surtos, precisam passar por atendimento em hospitais antes. Aqui somos casa de acolhimento, não de internação”, esclarece.
Como é a rotina?
Nos primeiros dias, os acolhidos descansam. Depois, passam por uma triagem e conhecem as regras e atividades obrigatórias: horário, disciplina, higiene e envolvimento em tarefas como limpeza, cuidados com a horta, com os porcos, com a casa. Também há atendimento psicológico voluntário, atividade física e orações.
“Eles vêm com doenças físicas e emocionais. Aqui tudo tem horário e regra para que recuperem a dignidade de ser humano”, diz Magda. O espaço conta com uma capela e mantém forte o vínculo com a espiritualidade, inspirando-se no exemplo de caridade do padroeiro Padre Pio.
Taxa de recuperação e desafios
A taxa de recuperação gira em torno de 5%. Pode parecer pouco, mas para Magda é uma grande vitória. “É maravilhoso. Várias pessoas me encontram e dizem ‘Mãe Magda, eu me recuperei no São Pio’. Mesmo os que recaem, enquanto estão aqui, vivem com dignidade. A recaída faz parte da luta, como qualquer um de nós também enfrenta.”
Hoje, a casa masculina abriga 56 acolhidos e a feminina, 11, em unidades diferentes.
Como ajudar?
A associação vive de doações e enfrenta dificuldades constantes. “Ganhar arroz e feijão é maravilhoso, mas temos muitas outras despesas: gasolina, luz, gás, remédios, manutenção. Estamos precisando muito de ajuda”, apela Magda.
Há também o tradicional Bazar São Pio, aberto de segunda a sexta, das 13h15 às 17h, na Av. Djalma Dutra, 1446, quase esquina da Rua 14, próximo ao Sesc. Móveis como sofás, mesas e cadeiras são extremamente bem-vindos, além de roupas e utensílios.
Outra forma de ajudar é participando da Ação Entre Amigos, promovida em parceria com o Asilo São Francisco, no dia 31 de maio. Será um sorteio eletrônico para arrecadação de fundos. As adesões podem ser adquiridas diretamente com voluntários ou pelos contatos da associação.
A Associação São Pio também está com falta de remédios básicos, como dipirona, paracetamol, Buscopan e pomadas. Qualquer ajuda é bem-vinda.
Uma casa onde sempre há uma nova chance.
“Nosso carisma é amar a Deus nas pessoas excluídas, sem olhar o passado ou a condição. Aqui, sempre há jeito. Aqui, sempre há esperança”, finaliza Magda, com a serenidade de quem faz da fé e do amor uma missão de vida.
Para ajudar:
- Bazar São Pio: Av. Djalma Dutra, 1446, próximo ao Sesc (esquina da Rua 14)
- Horário: Segunda a sexta, das 13h15 às 17h
- Contato: procurar por Magda ou Cátia
- Doações urgentes: Dipirona, Paracetamol, Buscopan, pomadas
- Necessidades do bazar: móveis, roupas e utensílios
- Ação entre amigos: sorteio eletrônico em 31/05



