Canal Direto ressalta 21 de março como Dia de Combate à Discriminação Racial

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Foto: Divulgação

Coordenadora de Políticas Raciais da Prefeitura de Araraquara, Alessandra Laurindo fala sobre a causa

Para falar sobre o Dia Internacional Contra a Discriminação Racial, destacado nesta quinta-feira, 21 de março, a coordenadora de Políticas Étnico Raciais da Prefeitura de Araraquara, Alessandra Laurindo, foi a entrevistada desta quarta-feira (20) no programa Canal Direto com a Prefeitura, realizado pela Secretaria Municipal de Comunicação.

“O 21 de março foi marcado como uma data muito triste, porque este dia, no ano de 1960, foi conhecido em Johanesburgo (capital da África do Sul) como o Massacre de Shapervile”, lembra Alessandra.

Houve protestos reivindicando a circulação de pessoas negras por todos os lugares de Johanesburgo. A lei do apartheid obrigava os negros a portarem um documento que continha, entre outras informações, os locais onde eles poderiam circular.

Mesmo realizada de forma pacífica, a manifestação pelo passe livre foi reprimida com violência pelo Exército, que resultou na morte de 69 pessoas e ferimentos em outras 186.

“Por isso, a partir daquela data, o 21 de março é simbolizado mundialmente como um dia de luta pela eliminação da discriminação racial, instituído, inclusive, pela ONU, para fortalecer esta causa “, afirmou Alessandra.

Laurindo acrescentou que dentro do calendário afro, o 21 de março também é muito importante porque mostra que não somente  novembro é simbolizado como o mês de luta contra a discriminação racial. “A luta antirracista tem que ser feita o tempo todo”, alerta.

Sobre a lei Afonso Arinos, de 1951, contra a discriminação racial, Alessandra disse ser difícil saber até hoje quantas pessoas foram penalizadas por crime de racismo. Isto porque, segundo ela, as brechas da própria lei permitem ao judiciário aplicar penas alternativas para quem é considerado réu primário, por exemplo.

Reforço legal

“Em janeiro de 2023, o presidente Lula sancionou a lei 14.532 que nos ajuda muito nesta luta, porque equipara o crime de racismo ao de injúria racial. Ela fortalece a lei Afonso Arinos e outras leis antirracistas, ao determinar a pena de dois a cinco anos de prisão para quem comete este tipo de crime, ou pratica o crime direto de racismo, ao impedir que a pessoa negra trabalhe em determinado espaço”, afirmou Alessandra.

Ela disse acreditar que a sociedade avançou em alguns aspectos com a lei, porque permite que a sociedade saiba que racismo é crime. “Porém, mesmo sabendo, as pessoas não deixam de ser racistas, continuam discriminando, inclusive em creches e também contra pessoas negras idosas. Por isso, o racismo continua existindo, também em Araraquara”, ressaltou.

O importante, conforme acrescentou, é que existem equipamentos que dão suporte à luta contra o racismo. Existe, segundo Laurindo, uma rede contra o racismo em Araraquara, seja no Centro de Referência Agro, na Comissão de Combate à Discriminação da OAB, na Defensoria Pública ou no Conselho Municipal de Combate à Discriminação e Racismo.

Ainda segundo Alessandra Laurindo, Araraquara está com uma agenda bem extensa neste mês de março pela causa antirracista. O dia 14 de março último foi também muito simbólico no cronograma afro, como o “14 M”, que debateu o assassinato da vereadora Marielle Franco, no Rio de Janeiro, e como data de nascimento de Abdias Nascimento (um dos símbolos da luta contra o racismo no Brasil, como deputado federal e senador) e da escritora Maria Carolina de Jesus.

“Foi um dia de muitas manifestações e de poesias, feitas por mulheres potentes, inclusive professoras, que se expressaram no Slan”, afirmou Alessandra.

Posse e Oficina

Também nesta quinta-feira, 21 de março, às 19h, haverá a posse do Conselho Municipal de Combate à Discriminação e Racismo de Araraquara (Comcedir), às 19h, no 6º andar do Paço Municipal.

“É um Conselho muito importante, criado em 2001, e por onde já passaram lideranças de vários segmentos. É aberto à participação das pessoas que queiram contribuir com a causa, apresentando sugestões e fazendo parte desta luta”, enfatizou Alessandra.

Ela lembrou ainda que no próximo dia 27 de março, no Centro de Referência Afro Mestre Jorge, a partir das 19h, será apresentada uma Oficina de Cartazes, por Daniel Amadeu Martins Filho, o Costa, para pessoas interessadas em aprender a profissão de cartazista. Esta Oficina será aberta e gratuita ao público em geral.

“A luta antirracista tem que ser de toda a sociedade, não só das pessoas pretas”, reiterou Alessandra.

Ao vivo

O programa Canal Direto com a Prefeitura vai ao ar de segunda a sexta-feira, às 12h, ao vivo, na página da Prefeitura no Instagram.

A íntegra dos programas fica disponível para visualização no próprio Instagram, no Facebook e em outras plataformas digitais do município, incluindo o formato de podcasts.

SECRETARIA MUNICIPAL DE COMUNICAÇÃO
PREFEITURA DE ARARAQUARA

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