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Cama

Um estudo do urologista e sexólogo colombiano Alonso Acuña revela que 13% dos homens fingem ter prazer na cama por problemas em relação à ejaculação ou para satisfazer as parceiras. A investigação, que envolveu 1.600 entrevistados, foi realizada com homens com idade entre 40 e 70 anos, pois é, entre estas idades que se encontram acumuladas as maiores quantidades de experiências sexuais. Os pacientes que freqüentaram seu consultório durante quatro anos para exame de próstata responderam quatro perguntas do especialista e os resultados são realmente assombrosos. Revelar-se tão sincera e anonimamente resultou ser um mecanismo para desvendar o que tantas mulheres até agoira nunca haviam imaginado: que, com elas, os homens podem mentir na cama.

Revelação dos números

A primeira pergunta era sobre a simulação do orgasmo e a freqüência desta conduta. As respostas, 87% dos entrevistados nunca haviam tido necessidade de fingir, enquanto 13% asseguraram que sim. Acuña autor de vários livros, entre eles "Contos para adictos sexuais", "Manual para desfrutar o amor erótico", e "Honorável membro", assegura que esta confissão revela que a "pantomima" faz parte de todas as gerações.

Os motivos

A inibição ejaculatória foi um dos principais motivos pelos quais os homens disseram fingir. 40% dos simuladores asseguraram que apesar de tentar várias vezes, não ejaculavam. "Há um fato interessante, a partir dos 60 ou 65 anos o indivíduo começa a diminuir a sensibilidade e por mais que se esforce, em algumas ocasiões não chega a ejacular, porque seu sistema nervoso está mais envelhecido", afirma Acuña. Em outros casos, ao repetir o coito também aparecem os problemas. Na segunda relação, demoram mais para obter prazer e se, ao tentar novamente, não podem, simplesmente simulam, para que sua parceira fique satisfeita. Isso aconteceu com 19% dos pesquisados. Finalmente, outras razões podem ser a ingestão de álcool, já que este consumo, como assinala Acuña, é um fator inibitório da ejaculação. Além desses dados reveladores, o estudo chama atenção para uma situação preocupante: é que todos os entrevistados asseguraram que suas parceiras não deram conta do ocorrido. Será que as mulheres também confundem gato com lebre? Os resultados da investigação foram publicados na Revista de la Sociedad Colombiana de Urología, assim como pela Confederação Americana de Urologia e em uma revista da Universidade de São Paulo (Brasil).

A chave é a comunicação

Guilherme estava cansado e já queria parar, porém não queria que sua noiva pensasse que era por culpa dela que ele não alcançava o orgasmo, então fingiu. "Éramos muito jovens e se tratava de um relacionamento de pouco tempo no qual não existia suficiente confiança para falar do tema", disse acerca da primeira e, segundo ele, única vez que fingiu um orgasmo na vida. Bastou fazer um pouco mais de ruído que o normal, acelerar o ritmo, respirar um pouco mais pesado, abraçar sua noiva e pronto, estava feito. Confessa ainda que fazer seja mais fácil do que se pode pensar, não está seguro de que sua parceira ficou convencida de que havia chegado ao orgasmo. Em todo caso, desde então não voltou a fingir porque em seus relacionamentos tem considerado prioritário a confiança para poder falar abertamente desde o princípio acerca de sexo e não ter que fingir um orgasmo. "Sempre trato de falar estas coisas porque estou convencido de que uma boa relação, em todos os aspectos, se baseia em uma boa comunicação. Por isso, quando sei que não vou conseguir, digo logo o que está acontecendo e passamos a falar sobre isso",diz.

A síndrome da poupança

Alguns homens temem uma gravidez não desejada e por 11% argumentaram que fazem a "mímica" de um orgasmo e se retiram antes da ejaculação (?). Além disso, um aspecto muito importante que encontrou o especialista foi o que ele batizou como "síndrome da poupança". "É o indivíduo que tem uma parceira paralela e voluntária ou involuntariamente simula com uma, para depois ter vigor com a outra pessoa, seja ela a esposa ou a amante". Outras razões menores argumentadas pelos entrevistados foram: posar de homem multiorgásmico, orgasmo antecipado ao dela, deficiência na ereção, desejo de repetir o coito e anorgasmia da parceira. Acuna encontrou em sua investigação que 19% dos homens que admitiram haver fingido um orgasmo o fizeram uma só vez, enquanto 70% argumentaram que haviam feito algumas vezes e o percentual restante o realiza com certa freqüência, quer dizer, duas ou três vezes em cada 10 relações sexuais.

Falta de confiança

O psiquiatra Rodrigo Córdoba assinala que fingir orgasmos é uma condição pessoal que quase nunca se converte em motivo de consulta. Ainda que seja mais freqüente em mulheres, também entre os homens ocorre pela necessidade de aceitação por parte de sua parceira. Córdoba indica que os homens que mantêm ereções com ajuda de fármacos, não têm o orgasmo garantido e por isso alguns o simulam. Para o psiquiatra e sexólogo Carlos Pol, a maioria destes casos marcará falhas na comunicação, na educação e na cumplicidade da parceira. "Isto deve ser levado em conta para não confundir sexualidade com teatro", conclui. 62% das mulheres fingem orgasmos, segundo um estudo realizado pelo médico Alonso Acuña. Enquanto 20% dos homens que o tinham feito simularam "uma só vez", todas elas disseram mais de uma. 19% dos fingidores disseram que no segundo coito para alcançar o orgasmo haviam demorado demais, então decidiram fazer uma simulação frente às suas parceiras. 40% dos homens que fingem, asseguraram que tentam, mas não chegam a ejacular.

Nathalia Salamanca (Especial para O Tempo)

Tradução – Rosa Godoy (Especial para o Jornal de Araraquara)

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