Com vacina contra o VSR (Vírus Sincicial Respiratório) disponível para gestantes, infectologista do IDOMED reforça sinais de alerta, formas de prevenção e cuidados para proteger bebês menores de seis meses
A bronquiolite voltou a chamar atenção dos pais nas últimas semanas após a internação de Eloah, filha da influenciadora Maíra Cardi. A doença respiratória aguda afeta principalmente bebês e crianças menores de dois anos e, embora muitas vezes comece com sintomas semelhantes aos de um resfriado, pode evoluir para quadros graves, especialmente nos menores de seis meses, prematuros ou crianças com comorbidades.
Na maior parte dos casos, a bronquiolite é causada pelo vírus sincicial respiratório (VSR), responsável por parcela importante das internações respiratórias em crianças pequenas. A infecção provoca inflamação dos bronquíolos, pequenas vias aéreas dos pulmões, dificultando a passagem do ar e podendo causar chiado no peito, tosse persistente e desconforto respiratório.
Segundo Silvia Nunes Szente Fonseca, médica infectologista e professora do IDOMED (Instituto de Educação Médica), o principal cuidado é observar a evolução dos sintomas. “A bronquiolite pode começar como um resfriado comum, com coriza, tosse e febre, mas nos bebês pequenos a piora pode acontecer rapidamente. Quando a criança apresenta dificuldade para respirar, cansaço para mamar, sonolência excessiva ou lábios arroxeados, é preciso procurar atendimento médico imediatamente”, explica a professora.
Entre os sinais de alerta estão respiração rápida ou com esforço, chiado intenso no peito, febre alta ou persistente, recusa alimentar, diminuição da quantidade de fraldas molhadas, prostração, sonolência fora do habitual e coloração arroxeada em lábios ou unhas.
Como a bronquiolite costuma ser causada por vírus, não há um tratamento específico na maioria dos casos. O cuidado médico é voltado ao suporte da criança, com hidratação, controle dos sintomas, acompanhamento da respiração e, quando necessário, oferta de oxigênio ou internação.
“A maior parte dos casos evolui bem, mas a bronquiolite não deve ser banalizada. Bebês muito pequenos têm vias respiratórias mais estreitas e menor reserva para enfrentar uma infecção. Por isso, a avaliação médica é fundamental quando há qualquer sinal de desconforto respiratório”, afirma Dra. Silvia.
A prevenção é uma das principais medidas para reduzir o risco de infecção. Lavar as mãos com frequência, manter os ambientes ventilados, não expor crianças à fumaça de cigarro e evitar o contato de bebês com pessoas gripadas ou com sintomas respiratórios são atitudes fundamentais. No caso dos menores de seis meses, a orientação deve ser ainda mais cuidadosa.
“Bebês pequenos, especialmente os menores de seis meses, não devem ser expostos a adultos ou crianças com sintomas respiratórios, mesmo que pareçam sintomas leves. Também é importante evitar levá-los a locais com grande circulação de pessoas, como shoppings, festas, cultos religiosos, rodeios e outros ambientes cheios, principalmente em períodos de maior circulação de vírus respiratórios”, orienta a infectologista.
Um avanço importante na prevenção é a vacinação contra o VSR (Vírus Sincicial Respiratório) durante a gestação. O Sistema Único de Saúde passou a oferecer a vacina para gestantes a partir da 28ª semana de gravidez, com o objetivo de proteger os bebês nos primeiros meses de vida, justamente quando eles estão mais vulneráveis às formas graves da doença. O SUS também passou a ofertar o nirsevimabe, anticorpo monoclonal de ação prolongada, indicado para bebês prematuros e crianças pequenas com condições de maior risco para complicações.
“Ter uma vacina indicada na gestação representa um grande ganho para a proteção dos bebês. Ainda assim, essa medida não substitui os cuidados do dia a dia. A prevenção da bronquiolite depende de uma combinação de vacinação quando indicada, redução da exposição a pessoas doentes, atenção aos sintomas e busca rápida por atendimento quando houver piora”, encerra Dra. Silvia.

Silvia Nunes Szente Fonseca, médica pediatra e infectologista e docente da IDOMED
(Conceito Comunicação)
Foto Ilustrativa Freepik