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É bom fazer o bem

Estamos caminhando.

Durante esse percurso que vamos fazer na Terra e que varia de pessoa para pessoa, as oportunidades vão surgindo em nossa vida.

Inúmeras são as ocasiões que nos permitem fazer o bem. Às vezes são simples os atos que temos participação. Pequenos para nós, mas de grande importância para os que recebem. Um simples gesto poderá estar abrigando um ato caridoso inesquecível. Aquele que obteve um benefício, dificilmente se esquecerá da mão amiga que lhe fora estendida. Reconhecemos que a falta de humildade do socorrido, em algumas ocasiões, poderá, intencionalmente, não ser lembrado pelo interessado, mas, esse gesto negativo, nunca deslustrará o ato benemérito de quem o praticou. No entanto, em outras, o próprio praticante se esqueceu de seus auxílios durante a vida, demonstrando simplicidade, bem como demonstração clara de situar-se acima desses conceitos de valor, considerando-os, sempre, como naturais.

Para ilustrar nosso trabalho, a página enviada mediunicamente por Maria Dolores a Francisco Cândido Xavier, intitulada “Traço do Cireneu”, traduz esse sentimento tão importante, que é a bondade:

“O Senhor carregava a cruz dificilmente…

A sentença cruel, afinal, se cumpria.

Liberto Barrabás, Jesus no mesmo dia,

Era levado à morte, ante a ironia,

Do fanatismo deprimente…

Brados, altercações, zombaria, algazarra…

O Excelso Benfeitor, no lenho a que se agarra,

Curva-se de fadiga, arrasta-se, tressua,

Escutando em silêncio os palavrões da rua.

O cortejo prossegue… O Cristo, passo em passo,

Por um momento só, exânime fraqueja;

Ajoelha-se e cai, vencido de cansaço.

O povo exige a marcha, excede-se, pragueja…

Nisso, um campônio vem da gleba com que lida,

É Simão de Cireneu, homem simples e forte.

Um meirinho lhe pede apoio na subida;

Deve prestar auxílio ao condenado à morte…

– “Como, Senhor? Não posso!… – exclama o interpelado,

– “Tenho pressa!… ” No entanto o funcionário insano,

Grita-lhe em rosto: – “Cão, obedece ao chamado!…”

E mostra-lhe o rebenque a gesto desumano…

Calado, o lavrador atende e silencia,

Toma parte da cruz sobre o ombro robusto,

Fita o Mestre cansado e o suor que o cobria…

A turba escala o monte e alcança o topo a custo.

Contemplando Jesus, por fim, deposto o lenho,

Diz-lhe Simão: – “Senhor, achava-me apressado…

A filha cega e muda é o tesouro que eu tenho;

Não queria ferir-te o peito atribulado.

Perdoa se aleguei a urgência em que me via…

É o coração de pai que falava a chorar…

Sei que estás inocente, ampara-me, alivia,

A dor que me avassala e me atormenta o lar…”

Jesus endereçou-lhe um aceno de ternura,

Em meio à multidão, apupado, sozinho.

E acentuou: – “Simão, guarda a fé que te apura;

Todo o bem que se faz é uma luz no caminho.”

O cireneu, de volta, acha a enorme surpresa…

Fala-lhe a filha: – “Oh, pai, uma luz veio a mim;

Agora vejo e falo, acabou-se a tristeza,

Tenho a impressão que a Terra é um formoso jardim!…”

Simão chora, lembrando a cruz que traz na mente,

E reconhece o bem como divino troféu,

Que, mesmo praticado involuntariamente,

É uma força atraindo a intercessão do Céu!…”

(Carlos Pompéia – E-mail: crlospompeia@yahoo.com.br)

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