É a grande chance de conviver com os que pensam e agem diferentemente. Aprimorar espírito, moldar um ser generoso, solidário. Pronto a servir.
O dia a dia pode ser bem melhor, basta indagar do Arquiteto do Universo: o que deseja de cada um de nós e o que efetivamente precisamos para viver bem.
Tudo tende a ser simples, até porque a vida passa muito rapidamente,
Folheando o livro "Libertos pelo perdão", de Márcia Jardim (Editora Aliança), pinçamos este trecho.
Cotidiano….
“No cotidiano das nossas vidas, somos compelidos a vivenciar inumeráveis experiências, quando, então, a nossa mente e nosso coração, numa simbiose constante, empenham-se para delinear as estradas que haverão de nos conduzir ao reduto da tal felicidade.
Contudo, distraídos, é comum deixarmos embevecer pelas enganosas facetas coloridas e brilhosas do mundo, vendo-nos, muitas vezes, manuseando pincéis do egoísmo, da injustiça, do desamor… transportando para as telas da nossa existência o negror da nossa alma, maculando o quadro belíssimo que a vida, paciente e generosamente, ilustra diante dos nosso olhos, completamente extasiados, ludibriados pelos apelos traiçoeiros da matéria efêmera e astuta.
Fascinados pelo prazer das gloríolas com que o mundo nos oferta, acabamos por nos desviar do verdadeiro sentido das nossas vidas, encaminhando o sublime sentimento do amor para os atalhos nebulosos e escurecidos, distanciando-nos do divino aconchego de Jesus.
Quantas vezes nosso olhar mantém-se impassível diante das lágrimas que deslizam pela face sofrida e amargurada dos seres humanos que conosco transitam pelas mesmas calçadas da vida, à espera da nossa complacência, da nossa compaixão?
Quantas vezes nossa voz mantém-se silenciosa, egoisticamente emudecida, diante dos irmãos perdidos e confusos do caminho, à mercê das intempéries da vida, esperando de nossa parte, apenas, uma conscienciosa palavra, um prudente estímulo para sentirem-se motivados a mudarem o rumo dos seus passos, até então, indecisos e titubeantes, e seguirem em frente em busca de dias melhores?
Quantas vezes nossos braços permanecem inertes, paralisados, diante das criaturas enlaçadas pelo desânimo, pelo pessimismo, quando poderíamos presenteá-las com o nosso abraço carinhoso e fraterno, insuflando-lhes a coragem para retornarem aos palcos da vida e construírem um novo porvir?
Quantas vezes nossas mãos distanciam-se das sendas perfumosas da caridade, indiferentes ao sofrimento e às dores daqueles que conosco percorrem as estradas do mundo, no aguardo, tão só, da nossa ajuda e da nossa comiseração?
Quantas vezes nossas pernas mantêm-se preguiçosamente inoperantes, paralisadas, perante seres humanos carentes de afeto e de auxílio, a nos implorar, tão só, companhia e atenção?
Quantas vezes nosso coração permanecera enlaçado pelo egoísmo, insensível aos clamores das almas desesperadas que se encontram ao nosso derredor, esperando, tão somente, receber uma migalha da nossa atenção e do nosso amor?
Por isso torna-se necessário e importante que tenhamos a coragem suficiente para, com o cinzel do amor, lapidar a nossa alma, eliminando as arestas do egoísmo que, porventura, ainda tentam permanecer nela enquistadas, impedindo-a de luzir, pois, assim agindo, haveremos de iluminar, não só o nosso próprio caminho, como também o de todos aqueles que seguirem os nossos passos, honrando-nos com a presença e a companhia".