A araraquarense Sandra Fiore iniciou suas atividades artisticas muito cedo através do desenho. Em 1990 estudou desenho na Uniara e na pintura foi orientada por vários profissionais.
Com exposição no Brasil, Estados Unidos, Espanha, Itália, Sandra participou de vários salões de arte recebendo inúmeras premiações, com destaque ao importante Mapa Cultural do Estado de São Paulo promovido pelo governo com a finalidade de mapear a arte e artistas emergentes. Seu trabalho selecionado pertence à Pinacoteca de Araraquara.
Além de pintora, desenvolve trabalhos na área de xilogravura, gravura em metal (ponta seca, água forte).
Em março de 2001 inaugurou seu Espaço Cultural Expressão e Arte Sandra Fiore, ateliê e escola onde orienta pessoas na área de desenho, pintura e expõe seus trabalhos à Rua Maria Janassi Biagioni, 341, fone 3332-3800.
E-mail: sandrafiore@uol.com.br. É a indicada pela escritora e colaboradora Sarah Coelho.
JA – Quando sentiu necessidade de montar o ateliê-escola?
SF- Meu ateliê era em minha residência, mas, faltava espaço para desenvolver outros trabalhos. Resolvi mudá-lo para um prédio amplo que possibilitasse não apenas um trabalho de pesquisa e realização como também, aproveitar para ensinar o pouco que sei aos que tiverem interesse. Existem também outros artistas usando o espaço para aulas, workshops como os premiadíssimos Ronaldo Boner Jr. e Hilton Greco.
Você oferece material de apoio aos alunos?
Sempre tenho o material, quando não, faço o pedido de acordo com as necessidades de cada um.
Quais os estilos de pintura que são desenvolvidos no ateliê-escola?
Sempre que uma pessoa vai iniciar o curso sem nenhum conhecimento, oriento a começar com desenho artístico através de modelo para se ter noção de proporção, claro, escuro, sempre feito no papel com grafite. Somente depois passamos para a pintura propriamente dita.
O aluno aprende apenas a pintura acadêmica?
Não, começamos com o clássico para se ter noção, passamos por um rápido estudo da historia da arte e depois, caso o aluno tenha uma tendência para o moderno, orientamos nesse sentido.
Como você desenvolve seu trabalho, qual o processo criativo?
Sempre começo com um esboço no papel, depois o estudo de cores, técnica, material a ser empregado… quando sinto que está bom, passo para o suporte.
As pessoas ainda procuram artistas para pintar seu retrato?
Existe e acho que isso não vai acabar, o que modifica é a forma como se pinta esses retratos, usando uma linguagem mais contemporânea.
Qual sua opinião sobre artistas que pintam retratos?
Tiro o chapéu porque não é fácil, cada um tem uma visão particular, uma forma diferente de se expressar e nem sempre a pessoa que está sendo retratada se vê como o artista a está retratando. Eu mesma já pintei muitos retratos, hoje não os faço mais.
Em pintura, qual tipo de trabalho é mais procurado?
Hoje em dia as pessoas querem um trabalho moderno, mas, sempre vai haver espaço para todos os estilos. Digo isso porque as pessoas não sabem muito bem diferenciar uma obra de arte de uma antiarte, portanto, todo trabalho a ser apresentado tem que ser verdadeiro, com qualidade, acabamento, independentemente do tema, do estilo.
Você orienta seus clientes na hora de comprar um quadro e onde colocá-lo?
Quando o cliente já viu o trabalho, gostou e resolveu adquiri-lo, deixo-o à vontade. Quando percebo que existe uma certa indecisão, pergunto se precisa de ajuda e o faço com muito prazer.
O que você considera um desafio?
Quando chega um cliente pedindo um trabalho especifico, tentar entender exatamente o que deseja e colocar em pratica é para mim um desafio, mas confesso, adoro desafios.
Ensinar também é um desafio?
Sem dúvida, há pessoas que aprendem com maior facilidade, outras dependem mais de você. Quando um aluno começa a desenvolver o trabalho sem nossa ajuda, é gratificante. Valeu a pena.
Você acha que as pessoas sabem apreciar uma obra e como você entende a arte?
Não fomos educados para entender arte, é diferente de outros países como na Europa que as criança discutem arte desde muito cedo. O que percebo no Brasil é uma tendência para o decorativo: compra-se um quadro apenas para decorar, combinar com o sofá, o tapete… Com isso logo que se muda a decoração o quadro e descartado. É necessário conciliar tudo isso, comprar uma obra de arte que possa se encaixar perfeitamente em qualquer ambiente e ter em mente que aquela obra terá, quando necessário, liquidez no mercado. Para isso é necessário comprar de um artista em ascensão que esteja no mercado não apenas na cidade de origem, mas, que já faz parte do circuito da arte com apreciação de marchands, consultores de arte, galeristas e críticos. Precisa-se entender urgentemente a diferença entre pintor e artista. Pintor coloca tinta no quadro, muitas vezes sem nenhum critério, sem muita técnica, faz cópias de outros artistas, não tem estilo definido e seus quadros vão apenas decorar. São descartáveis assim que a decoração mudar. O verdadeiro artista cria seus quadros, faz pesquisa e tem um estilo definido. Sem precisar ver a assinatura no quadro você o reconhece através do seu estilo marcante. Exemplo disso é um quadro de Van Gogh, Picasso, Portinari, Di Cavalcante, Juarez Machado, Beatriz Milhiazes, Adriana Varejão, entre outros e não é preciso ir tão longe, aqui mesmo em nossa cidade temos um grande artista, Ernesto Lia. Seus trabalhos são reconhecidos de primeira, o azul que é usado para fazer o céu de suas paisagens o difere de outros artistas, é uma marca registrada. Portanto, Ernesto é sem duvida uma grande artista com estilo próprio. Sua assinatura está nas cores, pinceladas, temas..
A arte nem sempre precisa ser entendida de maneira racional, porém, precisa impactar os sentidos de modo a atingir a emoção. A arte pode divertir, instigar, chocar, perturbar, só não pode entediar, pois assim abriria mão da possibilidade de transformar o espectador, que é sua meta maior.
Como analisa sua arte?
Tento fazer arte mesmo quando é uma encomenda especifica. O cliente pede que uma determinada cor sobressaia para combinar com o sofá ou o tapete… Então faço um estudo minucioso, todos os meus quadros são inéditos, não faço vários quadros iguais. Podem parecer-se um com o outro, mas, são únicos. O importante é que faço meus quadros com amor, tento deixar minha marca através das linhas, formas e cores.
Não sou contra quadros que são feitos para decorar, até porque, muitos artistas já pintaram sobre encomenda para serem decorativos e depois viraram obras caríssimas. É o caso de Picasso e outros. O que sou contra é o que chamo de antiarte: a cópia, o plágio, o embuste, a falsidade ideológica, a falsificação e todo tipo de mentira. O artista tem que ser verdadeiro e procurar desenvolver seu próprio estilo com criatividade e qualidade.
Qual seus projetos futuros?
Tenho alguns novos projetos, para este ano devo estar fazendo uma exposição em São Paulo (capital), estamos em conversação. Para 2005 ainda estou estudando a possibilidade em fazer uma exposição no México a convite de um grande amigo e presidente das galerias Menache “Fernando Díaz”, e da Martha Beillard, Subdiretora do MUSEUM OF THE AMERICAS em Miami.
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Se você quer transformar o mundo, experimente primeiro promover o seu aperfeiçoamento pessoal e realizar inovações no seu próprio interior. Estas atitudes se refletirão em mudanças positivas no seu ambiente familiar. Deste ponto em diante, as mudanças se expandirão em proporções cada vez maiores. Tudo o que fazemos produz efeito, causa algum impacto.
Se existe amor, há também esperança de existirem verdadeiras famílias, verdadeira fraternidade, verdadeira igualdade e verdadeira paz. Se não há mais amor dentro de você, se você continua a ver os outros como inimigos, não importa o conhecimento ou o nível de instrução que você tenha, não importa o progresso material que alcance, só haverá sofrimento e confusão no cômputo final. O homem vai continuar enganando e subjugando outros homens, mas insultar ou maltratar os outros é algo sem propósito. O fundamento de toda prática espiritual é o amor. Que você o pratique bem é meu único pedido. (Dalai Lama)