Abílio Diniz, o capitão do varejo brasileiro

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Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves (*)

O falecimento de Abílio Diniz abre uma lacuna no mundo econômico e empresarial brasileiro. Seu trabalho febril e continuado e a predileção pela modernização, transformaram o setor em que operou em algo tão atualizado e eficiente quanto seus concorrentes dos Estados Unidos, Europa e outras regiões desenvolvidas do planeta. Nascido na época em que as famílias brasileiras se abasteciam nos armazéns de secos e molhados onde haviam, balcão e dezenas de recipientes que guardavam as mercadorias à granel e de onde eram retiradas naquelas canecas metálicas de bico proeminente, que as colocavam em sacos de papel Kraft ou de algodão, Abílio, tão logo alcançou idade e qualificação, fundou, juntamente com o pai, na Brigadeiro Luiz Antonio (SP) a primeira unidade daquela que em poucos anos seria a Rede Pão de Açúcar de Supermercados. Seu temperamento desbravador o mobilizou para buscar o que havia de melhor no setor e, além de beneficiar o próprio negócio, motivou os concorrentes a também empreender. É por isso que se, supondo-se que alguém dormisse e fosse trazido para o interior de um supermercado de ponta no Brasil, dificilmente saberia em que país se encontrava, pois os daqui são iguais aos das praças mais avançadas. Se esse suposto indivíduo fosse um bom observador, talvez soubesse encontrar-se no Brasil ao ler o idioma português nas placas, mas nunca pela arquitetura.

O nosso executivo não perdeu tempo. Diversificou os negócios, atuou na distribuição de mercadorias da crescente indústria brasileira, elaborando estratégias de marketing e processos econômicos que colocaram os produtos ao alcance do nível econômico da população. Em sua inquietude, atraiu investimentos estrangeiros, tornou-se sócio dos esquemas de além-mar e pontuou como executivo internacional. Mas não ficou só aí. Desafiado a emprestar sua experiência ao Governo, exerceu a consultoria econômica a Lula e Dilma, dando-lhes parâmetros para um melhor relacionamento da política oficial com os setores econômicos.

Seu ciclo biológico completou-se em plena atividade. Abílio adoeceu durante viagem aos Estados Unidos. Ele se foi, mas seu exemplo marcante de cidadão e profissional permanecem e certamente servirão de modelo para os executivos que atuam em nosso país e até fora de nossas fronteiras. É inconteste a observação de que o varejo e o processo de consumo brasileiro de mercadorias tem um marco divisor. Antes e depois de Abílio Diniz. Rogamos ao Criador que o receba e, na mesma proporção, acalme e proteja seus familiares e todos aqueles que com ele conviveram e nele têm o exemplo de operosidade e discernimento empresarial e pessoal. Abílio Diniz, o Brasil o agradece pelos bons serviços prestados…

(*) É dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo)

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