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A velhice com o bom humor

Marilene Volpatti

Já que é inevitável, é preciso vivê-la sem vergonha e aproveitar o que ela nos dá de melhor: a experiência!

Se você está longe da velhice daqui a 20 ou 30 anos terá muita companhia, e da melhor qualidade, a julgar pelos avanços da medicina.

Atualmente já contamos com uma geriatria avançada e estruturas de apoio na sociedade para a terceira idade. São oferecidas oportunidades para desenferrujar os neurônios e as juntas, além de ajudar na ressocialização de solitários.

Essa é uma questão de fundamental importância para quem está chegando nessa fase da vida ou que quer se preparar para enfrentá-la sem sustos.

Tudo o que não usa envelhece mais rápido. Vale para o cérebro como para o sexo. Para a mulher a reposição hormonal, orientada pelo seu genicologista, garante um prolongamento de vida sexual em condições satisfatórias por muitos anos. Manter a libido acesa não é privilégio só da juventude.

Falta de interesse

Quando a mulher está casada, há muito, com o mesmo homem, não encontra em seu parceiro disposição para jogos eróticos – situação que não é vivida só pelas mulheres mais velhas.

Não adianta a mulher tomar um belo banho de imersão com sais aromatizados, ter o corpo massageado, ouvir Mozart e acordar às 11 horas, se as filhas e noras despejam seus filhos todos os dias em sua casa, das oito da manhã até as oito da noite. É compra para ser feita, cozinha a todo instante e brigas para serem apartadas. Sem contar a casa para cuidar, os cachorros, gatos, plantas e o mais desgastante o maridão que não apresenta ereção há pelos menos cinco anos. O que fazer? Dê um basta nos netos. Vez ou outra tudo bem. Na casa faça o necessário. Diminua a quantidade de compromissos. Um diálogo com o marido será muito bem-vindo para esclarecer o por quê da falta de interesse.

Outra solução

Raquel, 65 anos, cansada de seu dia-a-dia foi até uma livraria e comprou um desses livros que ajudam a aumentar a libido. Devorou-o e viu sua imaginação se repovoar de fantasias eróticas, o que não ocorria há muito tempo. Decidiu ir à luta. Foi a esteticista, cabeleireiro, adquiriu lingerie provocante e perfume com fragrância sensual. Depois de toda essa produção deitou-se na cama com olhar de gata no cio. O marido ao vê-la, tentou controlar um acesso de tosse e riso, mas não deu! Perguntou-lhe: “O que deu em você, Raquel. Tá louca?” Deitou-se ao seu lado dormiu e roncou.

Raquel não se deu por vencida. Procurou um amigo geriatra que convenceu seu marido a procurar um urologista que lhe passou um tremendo tratamento. Atualmente o maridão é todo aceso e para ajudar assiste filmes eróticos para que a chama acenda ainda mais, a ponto de Raquel suspeitar que é só para ela esse fogo.

Não precisa dizer que ela remoçou mais ou menos uns dez anos e que anda com um sorriso diferente nos lábios.

Evite

Para uma velhice gostosa são necessários alguns cuidados. Evitar o mais possível as condições estressantes do dia-a-dia. Trânsito e trabalho que deixam os nervos à flor da pele. Excesso de bebidas alcoólicas, calmantes ou qualquer outra droga e noitadas. Uma alimentação balanceada é bem vinda. E mais, praticar exercícios diariamente. Na medida que for envelhecendo ir adequando os exercícios para cada faixa etária.

Mudando a imagem

É necessário alterar a imagem que a sociedade faz do idoso. Este é um passo importante para se eliminar o estereótipo do velho, que é julgado acabado para os prazeres da vida e um poço de chatice e deficiências físicas. Isso acontecia num passado não muito distante, embora ainda hoje existam pessoas pensando da mesma forma.

Essa visão torna mais difícil ver-se como uma pessoa saudável, auto-suficiente e que está incluída no rol dos humanos vivos e normais.

A velhice é irreversível e chega para todos que estão vivos. Não adianta tomar antioxidantes, banho disso e daquilo. Ajuda a ter uma velhice digna mas não evita sua chegada e enfrentamento com dignidade e prazer.

Toda pessoa idosa e bem apessoada que se encontra pelas ruas, tem sua fórmula da eterna juventude e sem qualquer base científica. Uns falam que é o vinho, outros o azeite tomado em jejum, sexo sempre que possível e vai por aí…

O poder

O poder rejuvenesce e excita o ser humano. Dá ao indivíduo capacidade de coordenação mental e resistência física.

Pablo Picasso dizia, aos noventa anos, que a fase da vida que sentia mais saudade era dos setenta anos. Nessa idade teve mais uma filha.

A neurociência deu base científica ao descobrir que o exercício do poder altera, em profundidade, a bioquímica do cérebro. Sendo assim, uma fábrica do neurotransmissor serotonina que nada mais é que um potente regulador de diversas funções mentais, dentre os quais: sexual, humor, impetuosidade, auto-estima, memória e agressividade.

Seja lá o que for feito na juventude ou na maturidade para garantir as condições físicas, mentais e financeiras que permitam usufruir a velhice numa boa, ninguém consegue safar-se da única certeza que está conosco desde que nascemos: a morte. E ninguém sente mais essa realidade que o velho, o semelhante que por estar vivo chega ao inverno de sua existência.

Serviço

Consultoria: Drª Tereza P. Mendes – Psicoterapeuta Corporal – Fone:- 236-9225.

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