A política pode ser ética?

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José Renato Nalini (*)

No Brasil, diversos fatores influenciam o desinteresse da juventude pelo exercício político partidário. O universo da política profissional decepciona quem se proponha a procurar o bem comum, objetivo esquecido por aqueles que confundem o interesse privado com o público.

“De tanto ver triunfar as nulidades”, a célebre expressão de Rui Barbosa, mostra-se atemporal e cada vez mais utilizável para a situação nacional. Os bons querem a política à distância. Atuam nesse espaço aqueles que não têm nada a perder.

O escritor basco espanhol que vive na Alemanha, Fernando Aramburu, no romance “Quando os Pássaros Voltarem”, serviu-se de uma frase emblemática: “Curiosa esta ciência, a política, ao alcance de qualquer pessoa, sem necessidade de estudos. Paraíso de preconceitos, terreno fértil para dogmas em que o pensamento superficial, inseparável da convicção, cresce como cogumelo no esterco”.

Não precisaria ser assim. É fácil perceber que, por mais que se possa abominá-la, a política está em nossas vidas. Dependemos do Parlamento, que elabora as normas de conduta. O Estado de direito não é outra coisa que não o Estado “sob a lei”. Sob o comando dessas regras elaboradas pelos representantes do povo, para a disciplina do convívio. Sem leis, o mundo seria uma balbúrdia.

Dependemos do Executivo, encarregado de propiciar as condições necessárias para que todos e cada um procurem desenvolver suas potencialidades, rumo à perfeição, até atingir a plenitude possível para os pobres mortais.

Os Partidos Políticos deveriam ser os inspiradores do comportamento na gestão da coisa pública. O próprio conceito mostra que podem existir alternativas na definição das políticas estatais. Mas com mais de quarenta opções, chega-se à conclusão de que eles só servem para beneficiar seus integrantes.

Cada partido tem condições de esclarecer a cidadania, de educar politicamente as novas gerações, para que a política deixe de ser esse terreno minado e possa servir ao bem de todos. O que falta à política é levar a sério a ética: a ciência do comportamento moral dos humanos em sociedade. Enquanto ela não imperar, essa esfera de atuação do bicho-homem padecerá de uma explicável repulsa de parte dos que acreditam na Justiça, na ombridade e na verdade.

É possível injetar ética na política. Basta querer. Quem é que realmente quer?

(*) É Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Geral da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS.

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