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A “legalização” do monopólio

A comunicação de Araraquara é interessante, notável para ser analisada daqui a uns 30 anos quando a maioria dos participantes do processo interativo estiver no andar de cima (ou de baixo?).

A família Lupo tinha a PRD-4, depois a Rádio A Voz da Araraquarense com os Barbieri. Esse prefixo foi passado ao empresário Awad Barcha que vendeu-o ao ilustre araraquarense Roberto Montoro. Virou a Morada do Sol que, com o passar dos anos, se constituiu em concorrente da Rádio Cultura. Ambas se aprimoraram e os ouvintes ganharam um rádio atuante, vivo e criativo.

Nesse clima, Montoro instala a Tevê Morada do Sol que depois recebe o nome de Tevê Mulher, com rede a partir de estúdio instalado na capital. Foi vendida à Igreja Universal e o espaço noticioso da região de Araraquara foi para o espaço, literalmente falando. Enquanto isso, a Eptv de São Carlos dá show e uma baita de inveja. Perdemos o canal de televisão…

Enquanto isso, Marcelo Barbieri compra a tradicional Rádio Cultura do procurador dos acionistas, Ricardo Lupo, e vende-a à empresa do conterrâneo (araraquarano como a gente, certo Robertinho?) Roberto Montoro. Acabou a concorrência, o rádio se empobrece e perde vitalidade. Cultura e Morada unem os prefixos pela primeira vez para transmitir a apuração das eleições municipais…

No contexto, entendido como monopólio, a Rádio Cultura recebe um corte drástico: seu pessoal vai para a Morada do Sol e outra parte vai para a rua… Mais trabalhadores marginalizados nesse processo convergente, monolítico e altamente negativo à comunidade. Ainda mais considerando que a Jovem Pan e Band, na maior parte das 24 horas, são interligadas ao satélite.

Como se nota, a comunicação da região de Araraquara está doente. E o pior é que o tal monopólio passa a ser discutível porque, a partir de mudanças feitas pelos nobres deputados federais, o interessado dá lance e pode ser indicado como o vencedor do edital. Isso gera um vício enorme e prejudicial ao povo porque concentra a fonte geradora de notícia e opinião. Essa falha grotesca precisa ser corrigida neste momento de crise vivido pelo parlamento brasileiro. Uma ausência de riqueza democrática que mata líderes em formação, acaba com a regionalização e bate na história de cada cidade. Não pode prosperar, porque é leonina, loucamente concentradora, patológica nos resultados.

Assim, não se pode assustar caso a família Montoro ganhe (legalmente pelo elenco normativo) uma emissora em Américo Brasiliense, outra em Rincão, outra em Sorocaba…

A boa notícia é a Rádio Sucesso, a 104,9 que embora de alcance local (sem atingir toda a região) ganha audiência a cada dia. Mais música, informações e menos publicidade: a receita do sucesso enquanto aguardamos a ajuda do deus da comunicação para resgatar a importância de Araraquara e o direito à pluralidade de idéia.

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