Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves (*)
Em um país democrático, as eleições oferecem ao cidadão uma oportunidade decisiva de influenciar os destinos da nação. Na reta final de 2026, o eleitor brasileiro precisa escolher com critério quem ocupará a Presidência da República, os governos estaduais, o Senado, a Câmara dos Deputados e as assembleias legislativas.
A disputa presidencial concentra grande atenção, especialmente em torno de Lula e Flávio Bolsonaro. A polarização, porém, não deve impedir o exame dos demais candidatos. Tampouco as críticas e acusações trocadas durante a campanha devem substituir o debate sobre propostas concretas para os problemas do país. O que não ajuda o eleitor é transformar cada discussão em uma disputa de ataques pessoais, sem espaço para argumentos e soluções.
Antes de votar, é preciso conhecer a trajetória de cada candidato, avaliar a viabilidade de suas promessas e identificar como pretende atuar no cargo que disputa. Vale observar o que já realizou, como respondeu a dificuldades e se suas propostas são compatíveis com as atribuições da função. Promessas atraentes podem render aplausos, mas precisam ser acompanhadas de explicações sobre prioridades, custos e meios de execução.
O mesmo cuidado vale para a escolha de governadores, senadores e deputados. Um governador administra políticas estaduais e deve prestar contas de suas escolhas. Senadores e deputados participam da elaboração das leis, fiscalizam o poder público e representam os interesses da população. Cada função tem responsabilidades próprias. Quando o eleitor compreende essas diferenças, consegue cobrar de cada eleito aquilo que realmente lhe compete, sem aceitar desculpas ou promessas fora de lugar.
Também é necessário buscar informações em fontes confiáveis, comparar versões e desconfiar de conteúdos feitos apenas para provocar medo ou indignação. Reservar alguns minutos para verificar uma afirmação é um cuidado simples que protege a liberdade de escolha. O debate público ganha quando fatos e ideias recebem mais atenção do que boatos e slogans.
O voto não encerra a participação do cidadão na vida democrática. Depois da posse, cabe acompanhar o trabalho dos eleitos, exigir explicações sobre os compromissos assumidos durante a campanha e observar como votam e administram. A fiscalização contínua ajuda a impedir que promessas sejam esquecidas e lembra aos representantes que o mandato pertence à sociedade.
Ideologia, simpatia pessoal ou rejeição a um adversário não deveriam dispensar essa análise. Convicções são legítimas, mas precisam conviver com a disposição de ouvir, questionar e rever impressões diante dos fatos. Votar com consciência é escolher quem demonstra preparo, apresenta propostas consistentes e merece confiança para colocá-las em prática. Em uma eleição de consequências tão amplas, o país precisa de cidadãos atentos antes e depois de depositar o voto na urna.
(*) É dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo)