"Divertimento é como seguro de vida: quanto mais velho a gente fica, mais eles custam".
Bom dia. Continuo querendo saber: onde está o meu MENSALÃO? Será que está vindo pelo CORREIO?
No início, citei um pensamento sobre o quanto custa o divertimento das pessoas de mais idade. Refletindo bem, acho que essa citação não tem muita razão de ser. Divertimento… Hoje em dia é só ligar a televisão, ou ler um bom jornal. Não… não! Não falo dos programas humorísticos da nossa TV brasileira, que aliás vão de mal a pior. Não me refiro-me às tiras de humor, ou mesmo aos colunistas, tipo "Macaco Simão". Estes, com senso de humor cada dia mais apurado. Falo sim, dos editoriais, das matérias veiculadas em páginas nobres: terceira e quinta páginas, invariavelmente. É de rolar de rir…
Acho até que esses cidadãos, que recebem o "apelido" de políticos (refiro-me, obviamente a alguns: não sei se maioria ou minoria. Mas… alguns…), deveriam ser chamados de outra forma: Tiririca, Arrelia, Pimentinha… NÃO. Desculpem. Não posso macular o honra e a dignidade dos verdadeiros artistas da nobre arte. Os palhaços do circo fazem-nos rir e em troca pagamos um bilhete. Por isso é uma profissão nobre, e por isso é bom e gratificante ir ao circo. Contudo, há outros palhaços que dão mau nome aos primeiros. Onde será que eles se encontram???
Mas, voltando ao divertimento, esses outros "palhaços" nos fazem rir e muito. O que nos deixa um pouco descontentes é que, ao final de cada espetáculo, acabe sobrando uma conta enorme e nós é quem pagamos.
OLHA O MENSALÃO AIIIIIIIIII GENTE…
Vamos seguido a vida, acreditando que amanhã será melhor e que nossos políticos, amanhã, serão todos homens sérios e honrados.
Quero ter o prazer, algum dia, de sentir-me feliz ao votar em homens éticos.
Só para assustar. Não se trata de nenhuma "bomba", semelhante às últimas que temos acompanhado na imprensa. Trata-se de uma crônica, que foi gentilmente enviada por Jocimar Álvares Bueno. Vamos a ela:
Nunca posso ligar para você. Vontade tenho sempre. Bem, nem sempre. Às vezes, quando lembro de nós dois juntos, em lugares de lembranças gostosas, nestas ocasiões eu fico louco para ligar para você. Mas não posso! Só quando você me dá um toque e desliga em seguida. É o sinal de que eu posso ligar. Tem vezes que posso ligar em seguida, mas outras não.
Você alega que é muito vigiada por sua família, principalmente por sua filha, já moça, que foi morar com você, coisa de uns quatro anos, por aí, quando houve a separação matrimonial. No entanto, é controlada o tempo todo, e embora na idade de total maturidade, ainda se deixa vigiar e tem de dar satisfação sempre, de tudo. Contrariamente de você, que detesta prisão, patrulhamento, etc., tão impossível que aconteça, justamente com você, que ama a liberdade. Vá entender as pessoas e suas situações!
Nunca ligo para sua casa e me identifico. Se não for você a atender, eu desligo depressa, finjo que me enganei de número, ou imito uma voz estranha e pergunto por um nome mais estranho ainda.
Mas, hoje, você me ligou duas vezes. Em ambas, não pude devolver a ligação, porque estava em reunião. Queria tanto ouvir sua voz e seus comentários, seu interesse por minhas historias e meu estar. Só por lembrar você, sinto no ar o seu cheiro de óleo trifásico, aroma andiroba. Delicioso.
Saí tarde do escritório. Queria mesmo ouvir sua voz. Liguei. Atendeu exatamente sua filha. Você deveria estar preparando o jantar, 19 hs. Imaginei você de avental, caprichando num guisado, sentido o cheiro da sopa a ferver. Sei que por aí, na sua cidade, está muito frio. Pensei que você pudesse estar alheada ao cotidiano, quem sabe pensando em mim?
Queria muito ouvir sua voz. Liguei.
– Alô? Quem fala?
– Rosi — respondeu sua vigilante filha.
E agora, o que fazer? Não desliguei. Não inventei nome. Não disfarcei. Senti uma pontinha de raiva, por não falar com você na hora em que desejo. Houve um pouquinho de bronca, de querer pensar: “quero ver a cara dela quando a filha anunciar o meu nome”. Jamais isto aconteceu, não resisti, nunca me identifiquei. Era a hora.
– A Raquel está? Aqui é o Fernando.
Pronto. Disse o nome proibido. Tá feito, não há como voltar atrás.
Ouço um grito:
– Mãe, é o Fernando.
Silencio total. Daria tudo para ver seu rosto de espanto. Ficou vermelho ou branco?
Você atende, eu digo:
– Viu que ousadia a minha?
Você pensando, sinto estar muito espantada:
– Pois é.
– Liguei e nunca me identifico, hoje achei que podia, afinal sou cliente de sua filha, que vende produtos Natura.
– É, já chegaram, vou enviar pra você.
– Desculpe, mas queria ouvir sua voz. Dá-me um toque amanhã, que eu ligo para falarmos mais.
Você, como sempre, pensa rápido, é inteligente, é uma artista:
– Veio tudo direitinho, amanhã envio a encomenda para você.
Perco as palavras e me despeço:
– Tchau, beijo.
Você me responde um esperto: “Boa noite pra você também”
E fico a pensar que me identifiquei por pura maldade, para provocar-lhe susto. Que susto! Jamais você estaria pensando poder ouvir o meu nome, naquela hora, e dito por sua filha: “Mãe, é o Fernando” Fico imaginando você, apressada, enxugando as mãos no avental, tentando disfarçar o inusitado, esforçando-se por fingir naturalidade, ao atender mais um telefonema. A diferença é que era eu. Vejo-a equilibrando-se em passos ligeiros, descuidados, para ir me atender. Preocupada, pensando rápido: “O que será que aconteceu?”
Foi um pouco por raiva, juro, para descontar que não posso ligar a hora que quero, que sua filha não pode saber que eu existo, embora compre os perfumes dela e você diz que sou um bom cliente. Eu imaginei, mas não consigo imaginar direito. Daria tudo para ver seu rosto de espanto. Daria tudo para saber se ficou vermelho, ou se ficou branco.
Trata-se de um texto simples, vazado numa linguagem bastante coloquial. Entretanto, publico-o em respeito à participação de um leitor assíduo.
Obrigada.
Na próxima semana estaremos juntos novamente. Deseja fazer contato? celp@terra.com.br
"Tenha paciência com todas as coisas, mas, sobretudo consigo mesmo".
Até à próxima semana.
Profª Teresinha Bellote Chaman