A batalha de Castelo Branco

José Luiz Passos (*)

Era madrugada de sábado. Já se passavam 32 minutos do dia 19, horário preciso marcado pelo rádio relógio colocado ao lado da cabeceira da cama, onde eu, ainda tenso e bastante cansado, desamarrava calmamente meu tênis, retirava delicadamente cada pé de meia, respirava fundo e me levantava para desvestir a camiseta pólo branca com a inscrição Direito Uniara 2001 e a bermuda azul, paramento que se tornou meu uniforme, e acompanhou cada batalha do exército guerreiro denominado UNIARA-FUNDESPORT, muito conhecido como time de basquetebol masculino de Araraquara.

Estava vindo eu, da última batalha de nossos, como bem descrevia uma faixa colocada no gigantão, guerreiros do basquete. Antes de seguir com a batalha é preciso saber como toda guerra teve inicio.

Conduzido pelo Pró Reitor da Universidade de Araraquara – UNIARA, meu querido amigo Fernando Mauro, com o apoio incondicional do Reitor Professor Luís Felipe Cabral Mauro, começou, a cerca de três anos, o sonho do time de basquete.

Desde o segundo semestre do ano passado nosso exército tem no comando o general Antônio José Paterniani, que tenho certeza bem poucos assim o conhecem, mas quando digo do homem de uma educação e dedicação invejáveis, um verdadeiro gentelman apelidado carinhosamente de Tom Zé, todos sabem a quem estou me referindo.

Tom Zé uma referência tão simples a uma figura tão majestosa. Tive a felicidade de conhecê-lo no meio do ano passado, quando ainda era assistente técnico em Ribeirão Preto, através de meus grandes amigos da Net Site, Borelli e Odair, durante uma partida contra o Vasco na Cava do Bosque.

Na ocasião, já contratado pela Uniara, ele me disse, dentre outras coisas, que iria para Araraquara e lotaria o Gigantão com seu time de basquete e que contaria com jogadores de seleção.

E assim ele o fez. Montou, volto a enfatizar com o inconteste apoio do Fernando Mauro e do Professor Luís Felipe, contando ainda com o Luizão e o Paulo, um grande time de basquete. Grande, não somente na estatura de Luis Fernando, André, Rodrigo, Toninho e Pipoka, mas principalmente no conjunto.

Tem em sua comissão técnica o assistente João Marcelo, o competente preparador João Borim meu amigo desde há muito tempo, e agora também meu amigo o Fábio, responsável pela arrumação das coisas para os treinos e jogos. Contando ainda com Márcio, Xaxá, Pedro, Luizinho, Gary, Edu, Ed, Diogo e o fantástico Arnaldinho, a Uniara-Fundesport iniciou seu sonho de qualificar a equipe para Liga Nacional.

E quantas batalhas se sucederam para este fim, até a classificação para o play-off. Primeiramente enfrentamos o time de Mogi das Cruzes, que vencemos por 3×2, em cinco partidas memoráveis. Depois veio o tradicional time de Franca, com toda sua experiência em semifinais e ótimos jogadores. Passamos por ele num fantástico 3×1, onde destaco a partida que aconteceu em Franca quando após três prorrogações a equipe venceu de forma dramática.

E enfim vieram as finais. Após dois insucessos, nos primeiros jogos, o time reencontrou seu basquete, jogando em Ribeirão, comandou o jogo todo e venceu de forma gloriosa. Ainda faltavam um ou dois jogos. E veio a Batalha de Castelo Branco. Então voltemos a ela.

Dia 18 de janeiro, uma sexta-feira de céu claro, 20:30h. gigantão completamente lotado. Teve início mais uma batalha de nossos guerreiros, capitaneados pelo coronel Arnaldinho, tendo ainda como coronéis o incansável Márcio, o gigante Luis Fernando, Pipoka o melhor pivô do Brasil e o articulador Rodrigo, o ratinho.

E pronta para apoiar nosso exército uma artilharia formada por cerca de 10 mil soldados gritava e gesticulava palavras e gestos de incentivo. Isto sem contar com o batalhão que ficou para fora do ginásio acompanhando o jogo pelos telões colocados nos portões, nos diversos bares da cidade e em cada residência que contava com o sinal da maravilhosa ESPN, dos estimados João Palomino e Vlamir Marques.

E como jogaram nossos guerreiros. Dedicaram-se o tempo todo, correndo, marcando, arremessando, enfim retribuindo a toda artilharia que lotava o ginásio o seu carinho e incentivo.

Mas quiseram as forças divinas que no minuto final o time do COC empatasse o jogo e que, mais uma vez, acontecesse uma prorrogação. A artilharia fazia tremer o gigante de concreto com uma cantoria fantástica, onde o mais emocionante era o que dizia: Dá-lhe, dá-lhe Uniara com muito orgulho com muito amor. E o time correspondia fazendo uma cesta atrás da outra e buscando marcar de forma eficiente e com isso vencer provocando a quinta e decisiva batalha.

Só que novamente no minuto final uma cesta de três pontos caiu como uma bomba atômica sobre todo nosso exército. Nosso general Antônio José Paterniani, o Tom Zé, lembra, buscou dar força aos seus guerreiros, mas nossos adversários também eram fortes e conseguiram manter o placar e vencer este jogo que garanto a todos os que não tiveram oportunidade de acompanhar foi qualquer coisa de fantástico e certamente inesquecível.

Enquanto o COC comemorava seu título inédito, nossa artilharia gritava de forma magnífica: Dá-lhe, dá-lhe Uniara com muito orgulho com muito amor, como retribuição a todo esforço de nossos guerreiros nossos fantásticos vice-campões. E aqui gostaria de fazer uma pequena reflexão: temos a cultura que vice e nada é a mesma coisa. Ledo engano, o valor que tem este vice-campeonato para esta equipe é enorme. Formado somente há seis meses, desbancou gigantes como Mogi e Franca e valorizou e muito a vitória de Ribeirão. Então para aqueles que não vêem valor neste vice, podem ter a certeza que é com muito, mas muito orgulho e com muito mais amor que o estamparemos para sempre.

Fui até o interior da quadra para cumprimentar cada um de nossos jogadores agradecendo seu empenho e dedicação, dizendo que este á apenas o primeiro de uma série. E quando, após uma interminável seqüência de cumprimentos pude me aproximar de meu, a quem peço a permissão para assim o chamar, querido amigo Tom Zé e abraçá-lo, tive como retribuição um abraço longo e carinhoso. Ao agradecer o que essa pessoa inigualável está fazendo por nosso esporte e nossa cidade, recebi como resposta um gostoso agradecimento pelo apoio que pude dar a esta equipe. Foi emocionante.

Desde minha infância fui muito ligado ao esporte, tanto com praticante como torcedor. Participei da Tufão, da Ferrochopp, ambas da nossa estimada Ferroviária, bem como da Gaviões da Fiel, quando dos seis anos que morei em São Paulo, mas aos longos de meus 40 anos não me lembro de estar tão envolvido, de vibrar tanto, de torcer tão fervorosamente como tenho feito por este grupo que forma o que chamo de nosso time de basquete. Talvez pela emoção continuada que proporciona o basquete, talvez por ter convivido os últimos cinco anos na Uniara como aluno de Direito, talvez por gostar muito de esporte, enfim talvez por ter uma tremenda sinergia com o grupo formado por todo time.

Bem por fim gostaria de deixar um grande e forte abraço a cada integrante do grupo UNIARA-FUNDESPORT, a toda imprensa que noticiou de forma gratificante a trajetória deste time, e a nossa incansável torcida pela sua devoção, que fez tremer o Ginásio de Esportes Castelo Branco, nesta batalha que assim se intitula.

(*) Administrador do Tropical Shopping

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