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Vera Botta (*)

Agosto não é o mês do desgosto na Nossa Morada do Sol

Agosto, conhecido como o mês do “azar”, “do desgosto”, “do cachorro louco” e de “amuleto no bolso”… Se já não bastasse, uma sexta-feira 13 em seu caminho. Superstições à parte, para os filhos de Araraquara, este é um mês feliz, festivo, o qual nos chama à vida. Que me perdoem os romanos, tão importantes para nossa história, mas…a energia de nosso sol venceu a força dos dragões que cuspiam, durante agosto, fogos no céu. Simbologia que vem da lenda de que, no mês de agosto, sob o signo do leão, as irradiações vindas do dragão representavam mau agouro. E a lenda, transformada em dito popular, vem contaminando uns e outros…Ah! Agosto! Aí vem desgosto…

No otimismo que rege minha visão de mundo, permito-me dizer que a mitologia romana curvou-se à luminosidade do agosto de nossa Morada do Sol. E, ao invés do desgosto, por que não falar do gosto, do convite renovado a participar da festa de aniversário de nossa Velha Senhora que aos 186 anos esbanja energia. Cultiva prazerosamente sua história/ memória, não quer saber de cirurgia plástica nas suas rugas de expressão, marcas de sua dignidade e beleza…

Só vira desgosto para quem não olha do lado

Pois é, a passagem do tempo que aparentemente tudo leva só nos afoga na medida em que permitimos. E agosto só vira desgosto se tentarmos tapar com a peneira o movimento alegre, sereno, harmonioso dos acontecimentos, assim como a roda viva das necessidades das crianças, homens e mulheres de nossa terra. Tenho a firme convicção de que a lenda romana pode ser modificada ou ter, no mínimo, outras leituras se estivemos abertos às alegrias e limitações que se fazem presentes na trajetória de Araraquara. Passemos em revista algumas delas!

Facira: além dos negócios, solidariedade.

Em 2004, a Facira, através do slogan Simplesmente Evoluímos veio de cara nova. Fez uma aposta que dá gosto de ver…Propôs uma mistura bem temperada de exposições e discussões sobre os rumos dos negócios e shows musicais de top de linha…Pra ninguém botar defeito… Sem falar na inclusão de rodeios profissionais de tirar o chapéu… Mas, as entradas tiveram o impacto da evolução…o que impediu, sem dúvidas, que boa parte dos araraquarenses pudessem participar da festa. É difícil falar se está certo ou errado…

Verdade seja dita, algumas benesses foram cortadas, nada de entrar sem pagar, o que é extremamente justo. Pelas primeiras avaliações, a FISA mostra superávits face aos anos anteriores a serem distribuídos entre as entidades…E a promessa de Palocci em sua passagem pela Facira de que os pequenos empreendedores terão maior facilidade para entrar no mundo dos negócios criou boas expectativas…De olho nela!

O olhar sobre a FACIRA não pode ser somente econômico

Penso nas mãos de fada das mulheres que, atrás dos bastidores, bordam fio por fio, durante todo ano, verdadeiras maravilhas para que o produto das vendas possa suprir carências de vidas humanas… Penso nas formiguinhas anônimas que trabalham incansavelmente no fogão, por trás dos balcões dos quiosques das diferentes entidades… Penso em toda esta rede de solidariedade que tem, ano a ano invertido a lenda romana, transformando agosto na tessitura dos sonhos que transformam em realidade esperanças de um mundo melhor…

Na escola municipal de dança, outra lição de vida

Ao marketing global da Criança Esperança, Araraquara respondeu com a inauguração em agosto, há 2 anos, da Escola Municipal de Dança “Iracema Nogueira” que vem concretamente semeando mudanças em mais de 160 crianças e famílias… Projeto arrojado, olhado de início com receios, vem mostrando, em seu crescimento saudável, a perspectiva da inclusão social através da arte. As mudanças semeadas ultrapassam as apresentações. Revelam resgate de auto estima, transformando crianças, pais e funcionários em uma grande família, cujo elo une cidadania cultural e mudança social! Projeto que nos orgulha e reforça a nossa crença de que agosto não é o mês do desgosto na nossa Morada. A Coluna fica por aqui! Parabenizando os organizadores da Facira, os artesãos da solidariedade e todos aqueles que acreditam que é possível, além de driblar as superstições, construir um mundo melhor.

Boa semana a todos. Até a próxima!

(*) É pesquisadora da Uniara.

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