João Baptista Galhardo
O humanista holandês Desidério Erasmo ou Erasmo de Rotterdan, no livro “Elogio à Loucura”, escrito há mais de quinhentos anos, já dizia que a raça humana insiste em ser completamente louca. Afirmava que “do mais rico dos homens ao mais miserável dos mendigos, da honrada dama em suas sedas e cetins à mulher vulgar em seu vestido de chita”, vivem felizes em suas loucuras, guiando-se inteiramente pela ambição, vaidade e ignorância, com prazer no infinito poder de se tornarem ridículos. A psicose ou a loucura é viver na ilusão. É a perda do contato com a realidade. Dizem que loucos são aqueles que estão no hospício. Embora assim chamados, percebemos que os verdadeiros loucos são os que estão aqui fora. Loucura é o que lemos diariamente nos jornais e o que assistimos na televisão. Loucura é a infâmia, a calúnia, a inveja, a difamação. Loucura é o filho matar os pais. O adotado assassinar os adotantes. Loucura é o roubo do dinheiro público permanentemente noticiado pela imprensa. Loucura é ver gente passar fome. O desemprego. A fila em serviços de saúde. Loucura é pagar com pesados tributos a mordomia de presos. Loucura é a pessoa velha e revelha pensar que as rugas apagam a canalhice de comportamento. Loucura é o povo ter que pagar propaganda política. Loucura são promessas eleitorais não cumpridas. Loucura é a sobrecarga tributária. Loucura é conceder benefícios fiscais para instalação de fábrica de cigarros. Loucura é a pedofilia, quando tantas adultas clamam por uma relação íntima. Loucura é a extorsão sob todas as formas. Loucura é viver trancado dentro de casa com medo da violência. É dentro do hospício que estão as pessoas normais, embora chamados de loucos. Para eles qualquer vestimenta transforma o homem em rei da Dinamarca ou em um Napoleão Bonaparte. Qualquer vestido de chita faz da mulher uma rainha da Inglaterra. Qualquer chapéu é uma coroa. Qualquer um de barba e bata se com-porta como santo. Não fazem mal a ninguém. Ali não há ódio, traição, ira, soberba, luxúria. O cadeado do portão não é para que eles não saiam mas sim para que os loucos daqui de fora não entrem. Até as histórias sobre eles (inventadas) contadas nos servem de terapia do humor. Num hospício onde a Presidência era por eleição dos loucos, para captar votos foi construída uma piscina. A inauguração foi uma farra. Os loucos pularam do trampolim. De costas. Salto Mortal. No dia da eleição o Presidente que a construiu e que disputava a reeleição disse para eles . “Se vocês votarem em mim eu ponho água na piscina”.