TEXTO: PERCIVAL PUGGINA
Olho a cidade morta. O silêncio de cemitério só é rompido pelo motoboy que passa levando remédio a alguém. Não me restam dúvidas. Vivemos, também, uma pandemia da tolice. Sinto vontade de recitar a consigna universal dos grevistas: "Por que, parou? Parou por quê?". Ninguém responde porque a resposta é a confissão de uma imensa asneira nacional. Quem se arriscaria a dizer que paramos devido ao carnaval?
Carnaval nesse silêncio, como se houvesse um lockdown com tropas nas ruas? O Brasil que já parou por muitos motivos fúteis, nunca parou tanto e nunca parou por nada, como hoje.
Graças ao modo brasileiro de ser, o carnaval é uma festa pagã que, por tanto transbordar a taça das liberdades, pediu vaga no calendário nacional. Posso não gostar, mas admito. No entanto, neste ano não há festa alguma! Elas estão proibidas em virtude da pandemia.
No feriado, as pessoas concentram-se nas praias. Então, para-se o país para que não aconteça o que acaba acontecendo porque o país parou.
Não precisa explicar, eu só queria entender.
(*) É membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário, escritor e titular de sites.