As mortes decorrentes da coronavírus são os mais graves problemas enfrentados pelo país e mundo. Mas, da forma que se encaminha no Brasil, ainda teremos de purgar crise econômica e social. Tanto que o presidente Jair Bolsonaro pediu a governadores e prefeitos que abandonem o "conceito de terra arrasada" e voltem atrás nas questões do fechamento do comércio, escolas e outros de confinamento em massa. Considerando que o grupo de risco é nas pessoas a partir dos 60 anos e são raros casos fatais em menores de 40 anos, pregou que se reabra as escolas e volte a funcionar o país, adotados os devidos cuidados entre as pessoas.
POLÍTICA
É mais grave do que os riscos da doença. A conhecida falta de tato do presidente somada ao oportunismo de seus opositores (muitos em postos importantes da República) potencializam o clima de discórdia, prejudicial ao momento de crise pandêmica. É preciso compreender que o país não dispõe de lastro econômico para sustentar por muito tempo a cessação da atividade produtiva. Por mais que possam fazer, tanto os cofres públicos quando o bolso do empresariado só suportarão até certo ponto. É preciso fazer tudo para evitar a chegada da quebradeira nos negócios já que aí sim a verdadeira crise econômica se instalará com desemprego, problemas de abastecimento e convulsão social.
POUPANÇA
Só 6% da população têm alguma poupança e o caixa das empresas pequenas e médias, 80% do segmento, não suporta mais de 27 dias sem produção. Há que se considerar, ainda, que os vulneráveis trabalhadores informais, ambulantes, moradores de favelas e outros precisam gerar sua renda todos os dias ou, então, passam fome. Nada mais perigoso do que uma população de esfomeados.
COMBATE
Existem muitas teorias para combater o vírus e devastação econômica por ele trazida. É hora dos detentores do poder se unirem em busca da melhor solução. Presidente, governadores e prefeitos têm de deixar em segundo plano suas divergências políticas e ideológicas e os planos de futuro, para atenderem ao imperativo do momento. Eles têm a obrigação de criar o protocolo que mais se ajuste à situação brasileira, de seus estados e municípios em relação ao vírus. Sempre com o cuidado de evitar que os efeitos colaterais do "remédio" sejam mais devastadores do que o mal combatido.
DIFICULDADE
Senhores políticos compreendam o momento e deixem tudo o que possa desuni-los e enfraquecer o combate. Não façam do coronavírus uma maldita bandeira eleitoreira. Toda a Nação espera grandeza e senso de responsabilidade. Não permitam que as vaidades, interesses ideológicos coloquem tudo a perder. A pandemia vai passar e depois dela, cada um que siga o seu caminho, mas todos com a certeza do dever cumprido…
(Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves é dirigente da ASPOMIL (Associação de Policiais Militares de São Paulo)