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(Editorial) Despedidas

Texto: Rosely Sayão

“Em agosto, logo após o término das férias, muitas crianças irão, pela primeira vez, à escola. E, desde já, muitos pais estão ansiosos com os primeiros dias de escola dos filhos. Quem já levou filhos pequenos à escola sabe que é uma choradeira para muitos deles. E, de quebra, para muitos pais também.

Despedir-se dos pais, para a criança, não é fácil! Ela se angustia com o que sente – como a falta de segurança e de amor, por exemplo – ao distanciar-se dos pais. E, para estes, também surge a angústia na despedida dos filhos, porque ao deixá-los na escola eles têm a sensação e os sentimentos consequentes de que estão abandonando os filhos, tão pequenos e indefesos.

É de apertar o coração assistir a algumas cenas na porta das escolas nos primeiros dias de aula.

No semestre ou, em alguns casos, em qualquer época do ano. Vemos crianças berrando, com lágrimas verdadeiras escorrendo pelo rosto, outras se agarrando nas pernas dos pais, e outras, ainda, se jogando ao chão, tornando quase impossível tirá-las de lá. Elas ficam fisicamente fortes e pesadas nessas horas, não é?

Já os pais, muitos deles ficam frágeis nessa situação. Alguns consideram até a possibilidade de deixar para levar o filho para a escola mais tarde, tão grande é o sentimento de tristeza ao vê-lo desesperado na despedida. Mas essa despedida é importante porque ir para a escola significa, entre outras coisas, crescer.

É… despedidas são difíceis, tanto para as crianças quanto para os adultos. Nós também sofremos com as despedidas, mas temos condições de aguentar o tranco.

As crianças, em formação ainda, precisam, e muito, da ajuda dos pais e dos professores para aprender a lidar com os sentimentos que tanto as afetam com as despedidas porque elas serão muitas, e ocorrerão durante toda a vida!

Desde bem pequenas as crianças lidam com despedidas.

Despedem-se da amamentação, das fraldas, dos dentes, do berço, da companhia constante da mãe e/ou do pai; despedem-se dos avós e dos bisavós, em determinadas situações, para sempre. A cada despedida, um novo sentimento pode incomodar, e é aí que os adultos podem colaborar com as crianças.

Acolher o sofrimento que os filhos experimentam nas despedidas, mas permitir que ele aconteça, para que possa ser superado, é importante. Para isso, os pais precisam manter a firmeza, mesmo que seja com fragilidade, porque é o que ajudará as crianças a entenderem melhor o que se passa com elas e, assim, se conhecerem. Essa firmeza passará aos filhos a imagem de que, se os pais conseguem, eles também conseguirão.

Despedidas

São difíceis, tanto para crianças quanto para adultos. E é enfrentando essas dificuldades todas que me despeço de vocês, caros leitores, e de nossas conversas semanais neste espaço da Folha.

Minha despedida precisa vir acompanhada de agradecimentos: por sua companhia nesse tempo, pelos enriquecedores diálogos que mantivemos indiretamente, pelas reflexões que me permitiram crescer e pela amorosa acolhida que tive da parte de vocês.

À Folha agradeço o respeito por meu trabalho e o espaço para a educação, sempre necessário, mas que poucos veículos dão.

E como as despedidas não devem se alongar para que não sejam ainda mais sofridas, finalizo com o meu “Muito Obrigada”!

(A transcrição sugerida por leitores do J.A. da aludida "despedida" é um jeito de se homenagear a profissional Rosely Sayão, da Folha de S.Paulo. Obrigado em nome dos leitores)

A despedida da Psicóloga

Audiência

Texto de Rosely Sayão, profissional que registrou alto índice de audiência pelo conteúdo e forma de se expressar no respeitado jornal Folha de S.Paulo. Com a finalidade de oferecer suporte à família, especialmente na relação pais-filhos, a Psicóloga ganhou o respeito dos milhares de leitores, professores e dirigentes escolares.

Derradeira

A última coluna foi impressa na Folha de S.Paulo, nesta semana(18), caderno B2 Cotidiano. Os leitores sentiram a lacuna, de imediato.

Leitores da FSP

Falo em nome de vários pais, ficaremos “chorando na porta da escola” sem suas sábias orientações, Rosely Sayão. (Claudia Moura – São Paulo)

Educação

A ausência de Rosely Sayão será sentida por todos os que se preocupam com a educação brasileira. Há duas décadas ela participou conosco da coletânea “Na Escola – Alternativas Teóricas e Práticas”. Nossos votos de que Rosely prossiga seu dedicado labor pedagógico e de que o jornal mantenha a qualidade educativa de sua coluna. (Antônio Gomes – Jundiaí)

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