Maria Ursulina Ramalho (*)
Ao se abrir uma porta que leva a um jardim, vejo nele uma pequena árvore em desenvolvimento. Seu tronco fino assim como seus galhos e folhas verdes, grandes, com formato de cálice. Há algum tempo ela foi plantada neste lugar. É denominada grumixama, uma pequena cerejeira silvestre, que com o tempo se fortalecerá e teremos uma árvore linda e delicada.
Ao percebermos seu crescimento nos surpreendemos cada vez mais com a força, resistência e beleza, apesar dos obstáculos naturais, tais como: sol muito quente, chuvas e ventos fortes, que a balançam tanto, quase a derrubando.
Esta pequena árvore surpreende com sua coragem em manter-se e não teme seu renascimento como tudo na natureza.
Pensamos então que há uma identidade que não reconhecemos entre nós e ela. Por exemplo: somos parte de um todo que nos envolve e não paramos para perceber. Esta pequena árvore, a grumixama, nos mostra como toda natureza existiu antes de nós para que ao nos aproximarmos ou mesmo abraçá-la compreendêssemos que os sofrimentos humanos são criados por nós mesmos. Com raras exceções, veem-se nas árvores algo cuja única existência só servirá para lucros materiais.
Qualquer atitude má contra a natureza será pela nossa consciência julgada de maneira radical. Portanto, pensemos profundamente sobre qualquer árvore em processo de crescimento e teremos uma fonte de inspiração.
(*) É Pedagoga e escritora.