Percival Puggina (*)
“Não creio que seja hora de torcer contra nem de ficar cobrando pelo que foi dito em campanha”. Economista Roberto Teixeira da Costa, em artigo publicado no jornal “O Globo” domingo (30 de novembro).
O texto em questão leva um título bem alinhadinho e elegantemente palaciano: “Voto de confiança”. O quê? Voto de confiança? Quer dizer que não se deve cometer a leviandade de cobrar o que foi dito em campanha? Ora, leitor, isso me parece moral com agendamento, com data de vigência, segundo calendário eleitoral. A propósito: calendário eleitoral tem foto de mulher pelada, como folhinha de borracharia? Quer dizer que a presidente pode se eleger dizendo uma coisa até o dia 26 de outubro e fazer o oposto a partir do dia 27? E quem apontar a desonestidade de tal conduta torce contra o país?
O autor do referido artigo crê que a presidente deve receber um voto de confiança. Quanta infelicidade em apenas três palavras! Tenho certeza de que ele não daria esse voto de confiança para fazer dela gerente de seus próprios negócios. Aliás, pergunto: qual grande empresário, desses que despejaram quase R$ 400 milhões na campanha da candidata Dilma Rousseff, cometeria o desatino de admiti-la como executiva, mesmo em escalões inferiores de suas empresas?
(*) É membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário, escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país.