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Qualidade

“Quando Executivo e Legislativo se unem para trabalhar, sem cuidar de interesses pessoais que chegam até ao nepotismo, o povo sai ganhando.

“Uma parte da população não tem dúvida: a qualidade do vereador de Américo Brasiliense vem caindo. Falta criatividade, além de autonomia.

Valdomiro Brito Gouveia, conhecido como Ademir Gouveia, nasceu em Américo há 52 anos. É contador e advogado tendo sido vereador por 14 anos. Foi notável a sua presidência (1990-1992) no mandato de Novênio Pavan. Um político de posição e trabalho voltados à população que o respeita e admira. Sem aceitar a submissão pura e simples ao Executivo, como ficou anunciado sempre colocou o interesse da coletividade em primeiro lugar. Conhecedor do regimento interno e da Lei Orgânica do Município, ambos amparados pela Constituição Federal, soube honrar o mandato na Câmara Municipal e valorizar a independência do poder. Para o Ademir Gouveia “Executivo bom é aquele que cumpre a lei e busca solução dos problemas da cidade visando a construção de um futuro que dê segurança e prazer à nossa gente”. Sobre a figura do vereador, é tachativo: “vereador bom é o que trabalha para o povo sem a preocupação de agradar à chefia do Executivo. Antes, é um agente fiscalizador das ações administrativas”.

Mandato

Com a experiência política do Ademir, percebe-se que infelizmente muitos vereadores ainda não sabem fazer uso de suas prerrogativas legais para a implacável defesa do interesse popular. Por outro lado, é indesmentível que uma parte da sociedade ameriliense acredita que a qualidade do vereador de Américo vem caindo gradativamente. “Isso se dá pela desvalorização do poder político quando pessoas com objetivo de legislar para a população, com trabalho voltado para interesses sociais, acabam derrotadas eventualmente por alguns que pensam em levar vantagens pessoais (claro que há honrosas exceções)”.

Gouveia afirma que o poder político está fragilizado porque existem vereadores sem conhecimento sobre a função. “Pena que a legislação eleitoral é omissa em relação à formação dos candidatos. Não basta saber escrever o nome e ler algumas frases. Isso é muito pouco e com pequeno volume de informação, via de regra o vereador acaba manipulado pelo Executivo. Assim, deixa de fiscalizar com eficiência em nome da população. Embora não seja exigido que o parlamentar tenha curso superior, o eleito deveria participar de cursos técnicos e que passassem por uma aferição de conhecimento. Teriam que ser aprovados, caso contrário seriam substituídos pelos suplentes que satisfizessem as exigências. Vemos que, a cada mandato, há uma diminuição de qualidade, um retrocesso em relação aos trabalhos realizados”, defende acertadamente Ademir Gouveia.

“Devido ao salário a

disputa ficou acirrada”

Em edição passada do Jornal de Américo, um empreendedor afirmou que o vereador antigamente tinha ideal e não recebia nada. Até pagava para exercer bem o mandato. Só o presidente da Casa de Leis tinha pequena verba de representação. “Agora com o salário candidatam-se pessoas que nem sempre têm ideologia mas uma visão salarial”, ficou assentado na entrevista em questão.

Ademir crê que o salário não deveria influenciar e que o parlamentar ganhando ou não deveria fazer seu trabalho em favor da população. Mas, acrescenta que “nos últimos anos é visível em nossa cidade a presença de parlamentares preocupados com o seu ganho”.

A qualidade do

agente político

Para Ademir “a qualidade em nosso município piorou. Vemos pessoas que não conseguem desenvolver trabalhos, não saem em busca de recursos, não procuram aprender a função que deveriam realizar, resultando num prejuízo para ambos: políticos e comunidade”.

E continua o ex-vereador Gouveia: “parece que a sociedade não está sabendo escolher seus representantes. De uma forma geral a classe política tem sofrido uma degradação muito grande, fazendo e desfazendo o que bem entende. Assim, pessoas capazes se afastam dando lugar a outros sem tantos predicados o que prejudica o processo de escolha. A população precisa saber quem é quem”.

Tristeza

na sessão

“Estive presente em quase todas as sessões camarárias de 2005 e tenho ouvido das pessoas que elas poderiam ser melhores. A desta semana, a segunda de 2006, me entristeceu bastante, pois, os vereadores não se manifestaram em relação às matérias apresentadas pelo Executivo e nem outras atuais como nepotismo ou a devolução de verbas pelo Executivo que poderiam ter sido utilizadas para o bem da população”, afirma o entrevistado Ademir Gouveia que tem razão: na última sessão as falhas foram maiores que os méritos e alguns vereadores demonstraram elevada preocupação em agradar a prefeita Neusa Barata Dótoli.

Na sessão desta semana, um fato inusitado. De repente os vereadores deixaram o plenário e retornaram após uns 25 minutos quando, em pequenas doses, se soube que se reuniram noutra sala, “secretamente”, para discutir e votar dois vetos da prefeita. Um fato que o Jornal de Américo deixa de pormenorizar para não macular a história da cidade. Seria até motivo de piada e isso não é bom. Mas, certamente os vereadores não podem agir dessa maneira esquisita, tão primária. “Parece que brincaram com o mandato dado pelo povo ou foi uma falta de conhecimento para mais de metro, quem sabe muitos metros”, disse um assistente.

Ademir Gouveia diz que também ficou indignado e que, na sua opinião, há uma inexperiência, despreparo da direção e de outros vereadores que, quando questionados, acharam que estavam corretos.

Regimento e

Lei Orgânica

Os vereadores ficam devendo, após verificar as normas legais e o procedimento correto com quem entende, mudanças urgentes no Regimento Interno e na Lei Orgânica de Américo Brasiliense. A transparência tem que ser priorizada, é um direito do cidadão e da cidadã desta cidade. E que o espetáculo pobre da última sessão (até ofensivo à inteligência mediana), não se repita mais. O povo não merece isso…

“Nepotismo

deveria ser

denunciado”

Quanto ao nepotismo, que está sendo extinto no judiciário e deverá se estender aos outros poderes, Ademir ressalta que em Américo isso existe e já é um fato de conhecimento público: a contratação em cargo de confiança da filha da Sra. Prefeita. “Isso é nepotismo puro, é inconcebível essa prática. O Judiciário já se posicionou a respeito. No entanto, isso não é só em Américo. As pessoas são eleitas e seus primeiros atos são para contratar parentes, embora existam parentes com capacidade. Mas, se a norma é não admitir então que se cumpra a lei e a moralidade no serviço público e que isso não tenha principalmente na nossa cidade”, declara.

Ademir defende que o nepotismo de Américo deveria ser denunciado pelos vereadores ao Ministério Público.

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