Depois do José Sígoli nós mudamos de bairro. No Carmo vamos homenagear o Zé Bombardi, o Zé que é José Roberto mas a gente o chama de Zé também em homenagem ao pai que começou com o Empório no tempo em que aos sábados era dia de atender o pessoal que vivia na zona rural. E esse pessoal vinha para Araraquara entrando pelo Carmo ou do Storino. Isso para a gente se lembrar é muito importante. Esse pessoal comprava para pagar por ano, para pagar na safra e muitas vezes não conseguia. No tempo em que a Refinadora Paulista entrou em colapso e os fornecedores não recebiam pela cana, muita gente ficou três, quatro anos sem poder honrar seus compromissos. Só depois de vendida para o Silva Gordo é que essas coisas foram acertadas. Depois tivemos uma outra crise e, desse tempo, o Bombardi ainda guarda uma gaveta de fiados. Não que os fiados sejam tão antigos quanto esse tempo mas é que ele se habituou a guardar naquela gaveta aquilo que não é para ser mostrado. Diz respeito só ao Zé e ao cliente de confiança em quem ele sempre acreditou, para quem ele sempre deu crédito. Por isso o Supermercado Bombardi embora tenha um auto-serviço moderno, com mercadoria embalada e controle informatizado, mantém a afetividade que foi construída. A família é linda, tem na sua relação interna seu maior patrimônio e uma relação muito rica com o restante da comunidade.