Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves (*)
Passamos a terça-feira com as notícias (não confirmadas) de que o senador Flávio Bolsonaro, declarado perdedor da eleição presidencial de segundo turno era intimado a entregar seus passaportes, estava proibido de sair do País e, mesmo assim, teria fugido para os Estados Unidos. Mais tarde, diversas fontes informaram que ele não fugiu, mas teria sido resgatado por uma equipe do governo de Washington depois de ter atravessado à pé de Foz do Iguaçu/BR para Puerto Iguazu/AR, onde teria embarcado num jato que o esperava e o conduziu até a Flórida/EUA, onde pediu e recebeu asilo e o primeiro visto de permanência. O resgate, informou-se, foi coordenado pelo secretário de Estado, Marco Rubio, coordenado diretamente pelo presidente Donald Trump e teve o objetivo de evitar a sua possível prisão, que já estaria definida no Supremo Tribunal Federal.
O senador, sua mulher e duas filhas foram retiradas de Brasília ainda na madrugada da terça-feira e transportado pela missão norte-americana ao Equador e de lá aos EUA. Ainda hoje (28) deverá falar à imprensa sobre a viagem e seus planos no exílio, podendo esclarecer dúvidas sobre seu translado.
O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, Edinho Silva, disse, em entrevista, da necessidade de pacificação política que evite os opositores de se tratarem como inimigos. Mas sua opinião não gerou frutos porque parlamentares petistas se movimentam para pedir a decretação da prisão de Flavio e o lançamento de seu nome na lista vermelha de procurados da Interpol (Polícia internacional). O próprio Lula discursou criticando o adversário. Seguidores de Flavio também não pouparam reparos ao processo que levou Lula à reeleição.
O presidente Donald Trump diz que seu pais não interferiu no processo mas também não reconhece a reeleição de Lula porque nela são contidos aspectos duvidosos. Não falou sobre intervenção, mas o tema foi abordado por seus correligionários através das redes sociais. São criticadas as ordens do ministro Cristiano Zanin, do STF, que retardou em duas horas o encerramento de parte das urnas de votação e colocam em dúvida os 11 milhões de votos a mais do que os obtidos por Lula no primeiro turno. Clama-se por auditorias e provas de regularidade no processo.
É de ser aguardar que o interesse das diferentes correntes políticas, especialmente a esquerda e a direita – que vivem às turras – não superem as obrigações e nem o interesse público dos seus filiados eleitos tanto para o Executivo quanto ao Legislativo. Todos eles devem atentar para a promessa quer fizeram ao eleitorado na hora da conquista dos votos e direcionar suas atividades para a solução dos problemas nacionais e jamais para interesses pessoais ou de grupos. Estes devem ocupar espaço secundário nas respectivas pautas.
Lula, por exemplo, deve policiar-se para direcionar as forças e recursos do seu governo para a solução dos problemas, muitos dos quais ele próprio criou. Toda vez que tentar criticar Flavio ou qualquer outro adversário, estaria perdendo um precioso tempo que poderá ser aplicado na solução dos problemas administrativos. Os deputados e senadores que tomarão posse em janeiro – de maioria direitista – também devem cuidar para que sua atividade mirem o interesse do eleitorado e não a contenda com adversários. Tomem posse preparados para solucionar pendências que nos últimos tempos têm enfraquecido a autoridade do Parlamento como, por exemplo, o deslinde dos processos de impeachment do presidente da República, ministros do STF e outros tribunais e outras autoridades que vierem a cometer inflação política ou administrativa. Não se esqueçam, principalmente, que são os responsáveis pelo equilíbrio das instituições e harmonia dos três poderes da República, altamente sacrificados nos últimos mandatos. Legislativo, Executivo e Judiciário devem cumprir rigorosamente o que a Constituição lhes destina como obrigação; o contrário deve gerar impeachment para a regularidade e o bem-estar geral da Nação…
Quanto à contenda com os Estados Unidos, o governo brasileiro tem de atuar com perspicácia e sem rompantes que possam levar a potência militar a invadir nosso território e nosso povo a correr riscos. O povo não costuma eleger governos para envolver-se em conflitos ou guerras. Esse é o ultimo degrau da racionalidade…
(*) É dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo)