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Lipedema, linfedema ou obesidade? O teste do dedo do pé não resolve a dúvida sozinho

Condições podem coexistir e exigem avaliação clínica; especialista explica por que sintomas como dor, inchaço e aumento de volume não definem o diagnóstico

A perna aumenta de volume, a pessoa sente peso e o sapato começa a apertar. A primeira suspeita pode ser obesidade, retenção de líquido ou lipedema, mas nenhuma dessas condições deve ser confirmada apenas pela aparência. Lipedema, linfedema e obesidade têm mecanismos diferentes, podem coexistir e exigem avaliação clínica individualizada.

O ponto que costuma gerar curiosidade é o chamado sinal de Stemmer: a tentativa de pinçar a pele na base do segundo dedo do pé. Quando isso não é possível, o achado sugere linfedema. No lipedema puro, os pés costumam ser poupados e o sinal tende a ser negativo. Ainda assim, o teste não substitui o exame médico.

“Um teste isolado não fecha o diagnóstico. Ele orienta a investigação, mas precisa ser interpretado junto com o histórico, o exame físico e a avaliação de outras condições”, explica a fisioterapeuta Mariana Milazzotto, @marimilazzotto, mestre em Ciências Médicas e especialista em reabilitação funcional.

O que diferencia as condições

No lipedema, o acúmulo de tecido adiposo ocorre de forma desproporcional, geralmente em pernas, quadris e, em alguns casos, braços. A condição afeta predominantemente mulheres e pode causar dor, sensibilidade ao toque e facilidade para formar hematomas.

No linfedema, o problema principal é o acúmulo de líquido decorrente de alteração na drenagem linfática. O inchaço pode atingir o dorso do pé e os dedos, e, em muitos casos, é mais evidente em um dos lados do corpo.

Já a obesidade envolve aumento generalizado de gordura corporal e pode afetar homens e mulheres. Ela não explica, por si só, dor localizada, sensibilidade intensa ao toque ou distribuição desproporcional de volume nas pernas.

Por que podem coexistir

Uma pessoa pode ter obesidade e lipedema ao mesmo tempo, assim como pode desenvolver linfedema associado ao lipedema, quadro chamado de lipolinfedema. Por isso, o aumento de peso não descarta a doença, e a presença de lipedema não elimina a necessidade de investigar outras causas de inchaço.

“O corpo pode apresentar mais de um problema ao mesmo tempo. Por isso, não faz sentido reduzir a avaliação a uma única pergunta: é gordura, é líquido ou é peso? O diagnóstico busca entender o que está contribuindo para cada sintoma”, afirma Mariana.

Por que a diferença muda o cuidado

A identificação correta orienta o plano de tratamento. No linfedema, o acompanhamento pode envolver terapia descongestiva, compressão, exercícios e cuidados com a pele. No lipedema, o cuidado conservador pode incluir atividade física, orientação nutricional e compressão quando indicada. Na obesidade, o plano considera fatores metabólicos, alimentares e de estilo de vida, sempre com avaliação profissional.

Milazzotto reforça que sintomas como dor, peso, inchaço e hematomas merecem investigação, especialmente quando dificultam caminhar, trabalhar ou realizar atividades cotidianas.

“Não se trata de dar um rótulo rápido. É entender o que a pessoa sente, como isso afeta sua rotina e qual é o caminho mais seguro para cuidar dela”, conclui Mariana.

Sobre a Mariana Milazzotto

Fisioterapeuta com quase 20 anos de atuação, @marimilazzotto é mestre em Ciências Médicas e especialista no tratamento clínico do lipedema. Criadora da Jornada Desvendando o Lipedema, programa que forma fisioterapeutas e terapeutas corporais no atendimento a mulheres com diagnóstico confirmado ou suspeita da doença. É referência no Brasil por sua abordagem humanizada e baseada em evidências científicas.

(Tinteiro Assessoria de Imprensa)

Foto Profissional. (Crédito: FreePik)

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