Evento aconteceu na quinta-feira (22) e foi organizado pela Escola do Legislativo “Dulce Whitaker”
Na quinta-feira (22), o Plenário da Câmara foi o ponto de encontro de produtores de conteúdo, influenciadores e profissionais de propaganda e marketing, em atividade que celebrou a Semana do Influenciador e Conteúdo Digital de Araraquara, criada pela Lei nº 10.170/2021.
A iniciativa foi organizada pela Escola do Legislativo “Dulce Whitaker” e contou com a participação das influenciadoras Stéfany Molina e Jé Mariano, do publicitário Temo Mori e do advogado Rodrigo Coxe. O evento, conduzido pelo presidente da Câmara, vereador Rafael de Angeli (Republicanos), e por Michel Kary (PL), presidente da Escola do Legislativo e vice-presidente da Câmara, foi acompanhado pela vereadora Geani Trevisóli (PL), influenciadores locais, estudantes e pessoas interessadas no assunto.
Durante a abertura, os vereadores destacaram o protagonismo dos influenciadores em um mundo cada vez mais conectado, especialmente no universo das redes sociais. Foram citados exemplos de criadores seguidos por milhares de pessoas e trabalhos que estão cada vez mais em evidência no mundo digital.
Do celular ao conteúdo – aprenda fazendo
Na primeira parte, Stéfany trouxe ao público sua trajetória como influenciadora e criadora UGC, que é a pessoa especializada em produzir conteúdos autênticos e naturais para marcas. Ainda foram apresentados exemplos das publicações que utiliza em seus contratos, dicas para gravações de vídeos e ferramentas utilizadas na criação e edição de materiais para suas postagens.
Em seguida, foi realizada uma oficina para os participantes poderem criar suas próprias ações de divulgação de produtos e serviços e apresentá-las aos presentes. Ao final, Stéfany, que no momento se dedica integralmente ao mundo digital, lembrou que não é preciso estar pronta para começar a produzir conteúdo: basta iniciar, aprender com os erros e mostrar quem você é de verdade.
“Seu Instagram pode ser muito mais do que um perfil. [Ele] pode ser a porta de entrada para novas oportunidades”, finalizou.
Influenciador também é profissão
Na sequência, o público conferiu o painel “Influenciador também é profissão: como marcas e criadores podem se conectar”, que trouxe temas como importância da profissionalização, tendências do mercado digital e construção de parcerias com empresas.
Com experiência de mais de 20 anos na área de marketing e agência de publicidade, Temo Mori iniciou sua fala lembrando o processo de evolução do trabalho dos influenciadores, visto inicialmente com desconfiança por marcas que resistiam em associar sua imagem a esses profissionais.
Outro ponto abordado pelo publicitário foi a falta de conhecimento das empresas a respeito do trabalho realizado pelos profissionais do mundo digital, que muitas vezes acaba sendo equivocadamente resumido como ligar uma câmera e gravar um vídeo.
“Ter essa consciência de quem é o público que você impacta, com quem você conversa, quem você influencia, é fundamental para você encontrar boas parcerias que vão dar resultado”, aponta Mori.
Para Jé Mariano, alguns influenciadores e criadores de conteúdo não sabem valorizar a própria imagem e têm dificuldade em precificar os trabalhos. “Quando você coloca um preço, não quer dizer que é barato ou caro, mas isso já dá a ideia de que é um trabalho e que você está fazendo para ganhar alguma coisa”, aconselhou.
Os painelistas também chamaram a atenção do público para as questões burocráticas que envolvem as atividades nas redes sociais, como elaboração de contratos, emissão de notas fiscais, pagamentos de impostos e faturamento, que podem impactar no crescimento e no sucesso do profissional.
Apesar de todas as dificuldades que possam surgir no caminho dos influenciadores e criadores de conteúdo, os dois palestrantes concordam que o trabalho em redes sociais é uma realidade e precisa ser constantemente aprimorado.
“Não tenham medo, vivam a experiência de vocês, tentem, vivam o sonho de vocês. Porque de uma coisa eu sei, internet dá certo”, concluiu Jé. “Ninguém começa excelente, você tem que um dia começar para seguir esse processo, porque ninguém chega em um nível de excelência logo de cara”, complementou Mori.
Direitos e responsabilidade dos criadores de conteúdo
Na parte final do evento, Rodrigo Coxe, advogado, professor e especialista em Direito Digital, Inteligência Artificial e Criptoativos, mostrou alguns aspectos legais que envolvem o universo das redes sociais e apresentou exemplos de casos de postagens que foram parar nos tribunais.
O advogado lembrou que é preciso ter bom senso e responsabilidade no momento de publicar qualquer tipo de conteúdo na Internet, pois as consequências podem ser sérias, podendo gerar desde responsabilidade civil e criminal até indenização por danos morais.
“Uma vez publicado, seja um documento, seja um vídeo, seja um áudio ou qualquer coisa do tipo, você não tem mais controle, e, ainda que ele seja apagado, de fato, você não tem mais controle. O conteúdo pode ser removido daquela plataforma especificamente, daquele ambiente, mas ele já está disseminado, ele já está solto, ele já foi baixado e replicado várias outras vezes”, explicou Coxe.
Entre os exemplos de publicações que podem ser problemáticas estão fotos e vídeos que exponham indevidamente a imagem de alguém, principalmente menores de idade, ou que coloquem a pessoa em situação constrangedora, tenham finalidade comercial ou sejam editados de forma proposital, tirando o fato ocorrido de contexto.
A divulgação de prints de conversas privadas em aplicativos de mensagens, sem autorização dos envolvidos, também pode resultar em processo judicial. O professor de direito alerta que esse tipo de conduta não termina em pena de prisão para o autor, mas as indenizações financeiras são cada vez maiores.
Em relação à responsabilidade dos influenciadores que divulgam produtos ou serviços, ela vai além da esfera jurídica e é regulada também pelo Conselho Nacional Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária (Conar) e órgãos de defesa do consumidor. Para evitar problemas, Coxe recomenda que os profissionais sempre avisem seu público que aquele conteúdo tem caráter publicitário, tenham cautela ao recomendar a compra de um item e façam contratos de parceria para evitar prejuízos de um cancelamento unilateral inesperado.
Por fim, Coxe ainda destacou outras situações comuns que envolvem o direito nas redes sociais, como ofensas (crimes contra a honra), divulgação de notícias falsas, violação de direitos autorais e participação de menores nessas plataformas sem o alvará judicial correspondente. No encerramento, o palestrante reforçou o compromisso dos pais para que as crianças não façam uso abusivo de telas, nem sejam expostas a conteúdos inadequados nos ambientes digitais.
(Secretaria de Comunicação – Prefeitura de Araraquara)