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Segurança Pública não se faz com promessas: policiais exigem respeito

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves (*)

A cada eleição, repete-se um roteiro conhecido. Candidatos à Presidência da República e aos governos estaduais prometem enfrentar a criminalidade, modernizar as polícias, investir em equipamentos e melhorar a remuneração dos profissionais da segurança pública. O problema vem após a posse: promessas perdem prioridade, enquanto policiais e suas famílias enfrentam dificuldades financeiras e condições de trabalho precárias.

Na reta final da disputa presidencial, Lula e Flávio Bolsonaro apresentam caminhos distintos para enfrentar o crime. Flávio defende a ampliação de vagas no sistema prisional, o endurecimento do combate às facções e medidas penais mais rigorosas. Lula aposta na PEC da Segurança Pública, na maior integração entre União, estados e municípios e na criação de uma estrutura federal específica para o setor. As propostas exigem debate sério, não ofensas nem propaganda.

A PEC da Segurança Pública, já aprovada na Câmara dos Deputados, ainda depende de deliberação do Senado. A proposta discute coordenação, financiamento e responsabilidades federativas, mas não pode ignorar quem está nas ruas. Novas estruturas, presídios e leis não bastam. A segurança pública exige investigação, inteligência, treinamento, efetivo suficiente, equipamentos adequados e, sobretudo, respeito aos profissionais que enfrentam o risco em nome da sociedade.

A Associação de Assistência Social dos Policiais Militares do Estado de São Paulo (ASPOMIL) conhece de perto essa realidade. A Polícia Militar paulista tem longa história de serviços à população, sob pressão e perigo constantes. Muitos precisam reorganizar o orçamento familiar ou recorrer a jornadas extras para complementar a renda. Não é aceitável que quem protege a população não consiga planejar o próprio futuro.

São Paulo deve priorizar a valorização de seus policiais. Cabe ao governo estadual apresentar política remuneratória transparente, recomposição de perdas quando necessária, perspectivas reais de progressão na carreira e melhores condições de trabalho. O governo federal, por sua vez, deve contribuir com coordenação, recursos e combate efetivo às organizações criminosas, respeitando as atribuições de cada ente federativo.

Não basta prometer aumentos durante a campanha e, depois, pedir paciência à tropa. É preciso indicar valores, prazos, fontes de financiamento e metas verificáveis. Os candidatos devem esclarecer suas propostas e aceitar a cobrança posterior. Policiais da ativa, veteranos e suas famílias têm direito a respostas, não a slogans.

A segurança pública é um dever do Estado e um direito da população. Quem pede a confiança do eleitor precisa assumir também a responsabilidade de cumprir o que prometeu. Sem valorização profissional, planejamento e prestação de contas, qualquer projeto será apenas mais uma promessa esquecida. Chegou a hora de substituir a propaganda pela ação e o improviso por compromissos que saiam do papel.

(*) É dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo)

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