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Infarto antes dos 40: aumento de casos entre jovens acende alerta para a saúde cardiovascular

Dados do Ministério da Saúde apontam crescimento das internações por infarto entre pessoas com menos de 39 anos; especialistas destacam influência de hábitos e fatores de risco

Tradicionalmente associado ao envelhecimento, o infarto agudo do miocárdio tem chamado cada vez mais a atenção dos especialistas pelo crescimento proporcional de casos entre adultos jovens. Dados do Ministério da Saúde apontam aumento de 59% nas internações por infarto entre pessoas de até 39 anos em uma década, acompanhado de alta de 9% nas mortes nessa faixa etária. Já o levantamento do Sistema Único de Saúde (SUS) aponta que as internações de pessoas com menos de 39 anos mais que dobraram em 16 anos. As estatísticas sinalizam a necessidade de ampliar a atenção à saúde cardiovascular entre os mais jovens. 

Para o cardiologista do Grupo São Lucas de Ribeirão Preto, Dr. Felipe Araújo Campos (CRM/RQE: 169.118 / 111220 – 1112201), o infarto continua sendo mais frequente entre pessoas acima dos 60 anos, mas o aumento proporcional observado entre adultos de 30 a 45 anos merece atenção. Segundo ele, a mudança está relacionada, em parte, à exposição mais precoce a fatores de risco cardiovasculares. 

“O que mudou não foi a doença em si, mas o estilo de vida. Hoje é mais comum o sedentarismo, alimentação ultraprocessada, obesidade, estresse crônico, uso de tabaco e, mais recentemente, drogas estimulantes e anabolizantes”, explica o cardiologista. 

O cenário acompanha o crescimento de condições que tradicionalmente eram mais observadas em faixas etárias avançadas. Hipertensão arterial, diabetes, colesterol elevado e obesidade estão entre os principais fatores associados ao risco cardiovascular, enquanto sedentarismo, alimentação inadequada, tabagismo e estresse crônico podem contribuir para o agravamento desse quadro. O histórico familiar e o uso de drogas, especialmente cocaína, estão entre os fatores relacionados ao aumento do risco de infarto em jovens. 

Outro desafio é que muitos desses fatores permanecem silenciosos. Jovens que não apresentam sintomas e se consideram saudáveis podem não procurar avaliação médica ou realizar exames de rotina. “O problema é que muitos desses fatores são silenciosos e não costumam ser investigados nessa idade. O estresse crônico associado a rotinas de trabalho exaustivas, o uso recreativo de drogas estimulantes como cocaína e anabolizantes, e o histórico familiar de infarto precoce são fatores que costumam ser subestimados”, alerta Dr. Felipe. 

Anabolizantes e cigarros eletrônicos: hábitos que também preocupam 

Entre os comportamentos que vêm ganhando espaço entre pessoas mais jovens e que podem representar riscos à saúde cardiovascular estão o uso de esteroides anabolizantes para fins estéticos ou de performance e o consumo de cigarros eletrônicos. 

Os esteroides anabolizantes estão associados ao aumento da pressão arterial e a outras doenças cardiovasculares. A Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial de 2025 destaca a associação entre o uso de esteroides anabolizantes para fins estéticos e de performance e a hipertensão, além de outras doenças cardiovasculares e renais. 

“Os anabolizantes não devem ser vistos apenas pelo efeito sobre o ganho de massa muscular. O uso sem indicação e acompanhamento médico pode interferir na pressão arterial e em diferentes mecanismos cardiovasculares, aumentando a exposição a situações que favorecem eventos cardíacos. Em um paciente jovem, que muitas vezes não apresenta outros fatores de risco aparentes, esse histórico precisa ser investigado”, afirma Dr. Felipe. 

Os cigarros eletrônicos também representam uma preocupação crescente. Segundo posicionamento da Sociedade Brasileira de Cardiologia, a nicotina presente nesses dispositivos está relacionada ao aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial, além de estresse oxidativo, inflamação, disfunção endotelial e lesões vasculares. O documento cita estudos que encontraram probabilidade 1,79 vez maior de infarto do miocárdio entre usuários habituais de dispositivos eletrônicos para fumar em comparação com não fumantes. 

No Brasil, a fabricação, venda, importação, divulgação e distribuição desses dispositivos são proibidas. 

Diante desse cenário, a avaliação dos fatores de risco cardiovascular não deve ser considerada uma preocupação exclusiva da população mais velha e podem ser avaliados precocemente.  

“Uma consulta com avaliação de pressão arterial, perfil lipídico completo, glicemia e histórico familiar detalhado já ajuda a identificar boa parte dos casos de risco. Em quem tem fatores de risco ou histórico familiar de infarto precoce, exames complementares podem trazer informações importantes”, orienta o cardiologista. 

Além do acompanhamento médico, que pode começar a partir dos 30 anos, mudanças no estilo de vida continuam sendo fundamentais. Praticar atividade física regularmente, manter uma alimentação equilibrada, evitar o tabagismo, dormir adequadamente e controlar o estresse são medidas que contribuem para a redução dos fatores de risco cardiovasculares. O controle adequado de hipertensão, colesterol elevado e diabetes também é essencial. 

A atenção aos sinais também pode fazer diferença. Em pessoas jovens, sintomas como dor ou pressão no peito, falta de ar, suor frio, náusea ou dor que se irradia para braço, mandíbula ou costas podem ser confundidos com ansiedade, refluxo ou cansaço, atrasando a procura por atendimento. 

“Mesmo em quem se considera saudável, dor ou aperto no peito que dura mais de alguns minutos, principalmente quando acompanhado de falta de ar, suor frio ou náusea, é um sinal de alerta que não deve ser ignorado”, reforça Dr. Felipe. 

Sobre o Grupo São Lucas – O Grupo São Lucas de Ribeirão Preto (SP) é uma marca de tradição, qualidade e confiança em medicina de excelência há mais de 50 anos, com médicos especialistas, atendimento humanizado e estrutura própria com alta tecnologia. É composto pelo Hospital São Lucas, Hospital São Lucas Ribeirania e São Lucas Medicina Diagnóstica. O Grupo, localizado em Ribeirão Preto (SP) é administrado pela Hospital Care, uma holding de serviços de saúde formada por mais de 30 unidades entre hospitais e clínicas, em 7 cidades do país

Foto: Divulgação – Especialista alerta para atenção aos sinais e reforça importância na mudança de hábitos

(Outras Palavras Comunicação Empresarial)

Foto: Divulgação – Freepik – Sintomas muitas vezes não aparecem ou podem ser confundidos com crise de ansiedade

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