A pedagoga Luciene Cristina Berger Oliveira, por indicação da Sarah Coelho, é destacada nesta página Gente por sua atuação no meio escolar. Realiza trabalho eventual (substituição) e trabalha em um projeto de reforço para crianças que não conseguiram atingir o objetivo desejado pelo professor.
É uma turma de alfabetização. São 22 alunos inscritos, 18 freqüentes. Os alunos estão se saindo muito bem, estão atingindo metas, começando a ler e escrever. O sucesso do aluno deixa a Profa. Luciene plenamente satisfeita com a turma: ela e sua equipe.
JA- Escola onde atuou?
L.C.B.O.- Trabalhei em algumas escolas estaduais: Florestano Libutti, Colturato, EEBA, Victor Lacorte e Antonio Joaquim de Carvalho, onde estou há 2 anos.
Projetos desenvolvidos.
Estou com um projeto de reforço (Módulo I) sendo coordenada e orientada pelas professoras Cláudia Aguiar Greco e Dirce Charara (Uniara). Estamos montando aulas maravilhosas que estão nos deixando satisfeitas e felizes, verdadeiramente realizadas a cada aula. Os alunos estão rendendo e aprendendo muito bem. Alguns estão começando a ler, é o máximo. É verdadeiramente lindo vê-los desabrochar para a leitura e a escrita.
Como funciona?
A professora da Uniara, Dirce Charara, monta as apostilas e eu aplico para as crianças. Também faço outras atividades ligadas à matéria. Com isso aplico um pouco de matemática, história e até geografia.
Exemplo: uma data comemorativa onde faço comentários e os alunos falam o que sabem, o que ouviram falar a respeito.
Sempre que estou aplicando uma atividade de Português pergunto quantas palavras existem ali, tiro ou coloco mais palavras e eles respondem prontamente.
Quais os maiores desafios?
Um dos meus maiores desafios foi encontrar crianças que não reconheciam a vogal “a” e hoje depois de 10 aulas eles já reconhecem e identificam as vogais e alguns até formam palavras.
Outro desafio é fazê-los não desistir do reforço e comparecer mesmo alguns chegando atrasados. Tanto que em minha sala de 22 inscritos, 18 são freqüentes.
É uma satisfação imensa para nós. Estamos atingindo nossos objetivos com louvor.
Retorno do trabalho planejado.
É muito gratificante trabalhar em uma atividade que se gosta, que dá prazer. Para mim o retorno é grande pois me realizo, vivo cada descoberta, cada letrinha e palavrinha que eles aprendem. Tem muitas vezes que acordo no meio da noite e começo a pensar nos meus alunos. Lembro da carinha de cada um e fico pensando na aula seguinte, como será, o que vou aplicar, como eles vão se sair. A minha cabeça parece que ferve de idéias.
É uma pena que o tempo é curto e não tenho tempo para aplicar tudo o que gostaria.
Apesar de o trabalho ser ótimo, de me realizar, o que não compensa é o salário: pouco mais de R$ 4,00 por aula… isso é muito triste e grave.
Mesmo assim me sinto feliz e realizada, pois amo minha profissão.
Quantas pessoas participam desse projeto?
Este maravilhoso projeto é realizado em vários VI módulos. Cada um tem seu professor e suas atividades.
O módulo que eu trabalho é especial.
Trabalhamos eu, a minha coordenadora-professora Claudinha Aguiar Greco, a professora Dirce Charara e mais 3 estagiárias (professoras Daniela e Helen da Uniara).
A classe é formada por 22 alunos, sendo 18 freqüentes. Vou receber mais 3 alunos na próxima semana.
As crianças ficam motivadas?
As crianças pelo que eu e minha equipe percebemos adoram as aulas. Quando terminam, falam: que pena, amanhã tem mais? Além do mais elas participam bastante das atividades na sala de aula, fazem perguntas, dão idéias e eu procuro sempre motivá-los.
Teve um dia que eu me emocionei e a professora Dirce Charara, também. Chegamos na sala e a porta estava fechada. Encontramos 3 alunas lá dentro… apagaram a lousa, colocaram a data e escreveram “Professora Luciene querida e bonita. Eu fiquei muito, muito emocionada e feliz. Agradeci disse-lhes que elas são maravilhosas.
Como você avalia o comportamento dos alunos?
Toda criança é especial, tem modo de vida e atividades diferentes.
Apesar de a minha turminha gostar de falar, são excelentes, obedecem, são responsáveis, respeitadores, disciplinados e bem organizados.
A minha turminha é especial mesmo. Eu os adoro e eles também gostam muito de mim. Por isso não tenho problemas com a disciplina.
Conforme eles crescem, a disciplina melhora?
É uma pergunta muito difícil, pois um é diferente do outro.
Tem alunos que crescem e se tornam mais educados e responsáveis. Outros se tornam rebeldes e acham que não devem fazer as atividades ou que só devem fazer quando e como quiser, se tornando irresponsáveis. Não sei se aprendem essas maneiras com colegas da escola ou fora dela.
A minha turminha não é assim, eles estão valorizando o que aprendem e se sentem felizes. Perguntam se eu vou dar aula para eles no próximo ano.
Em relação a tarefa…
Eu acho excelente mandar tarefas, pois as atividades que fazemos na sala de aula eles têm que fazer em casa, para uma revisão ou melhor aprender.
As tarefas são todas corrigidas em sala de aula, tiramos as dúvidas e assim percebo que estamos atingindo nossos objetivos.
Quando algum aluno não entende a tarefa explico novamente, até entender. Os alunos gostam de levar tarefa para a casa e os pais (a maioria) também gostam e cobram tarefas.
Como é a resposta das crianças com essa tarefa?
É ótima, as minhas crianças gostam e fazem todas as tarefas. Pois estão aprendendo e descobrindo as letras e palavras e se sentem felizes. Muitas vezes aplico uma tarefa para casa e, enquanto distribuo as atividades, tem aluno que começa a fazer na sala, pois quer mostrar como é esperto e o quanto sabe. É o máximo, tem aluno que ensina outro aluno… um amor.
Quando chego na sala de aula os alunos vão logo mostrando as tarefas, felizes por terem conseguido fazer.
Corrijo as tarefas e coloco “Parabéns, Excelente, Ótimo” eles ficam estimulados se sentem felizes pelas notas e querem sempre melhorar.
Participação dos pais.
Eu acho fundamental a participação dos pais (e eles participam em sua maioria).
Não só para nós professores como para os alunos também, pois eles ficam mais conosco (muita vezes) do que com os pais e havendo essa interação pais e filhos ficam cientes e atentos com tudo o que acontece com as crianças na escola pois a escola é o 2º lar da criança.
É na escola que a criança aprende a ler e escrever, praticamente se descobre e tem muitos amigos.
Quando pais e professores se comunicam, quando há interação entre família e escola a criança se sente mais protegida e segura, rendendo mais e aprendendo melhor, tornando-se uma pessoa muito mais humana e harmoniosa, podendo com certeza ser uma pessoa no futuro digna, responsável e respeitável.
Por que ser professora?
Eu poderia ficar muito tempo falando e escrevendo meus motivos, mas vou falar pouco. Em poucas palavras, eu Adoro ser professora.
Quando eu era pequena lembro que meu pai me colocava no colo e perguntava: minha filha, o que você vai ser quando crescer?
Eu respondia: Professora, papai. E ele se sentia orgulhoso e feliz.
Ser Professora sempre foi meu sonho, eu nunca pensei em outra atividade profissional.
O professor até uns tempos atrás era melhor valorizado tanto pelos alunos como pelo Estado (Governo), enfim por todos. O professor era importante e respeitado.
Eu lembro da minha 1ª professora, a D. Chandira. A 2ª professora, a Dona Maria Theresa… são as que mais me marcaram, pois elas me ensinaram o be-a-bá. Excelentes professores, eu era muito tímida mas admirava-as demais, desejava ser como elas. Eu achava que os filhos delas deviam ser muito felizes por elas serem professoras.
Eu sempre achei que minha mãe devia ser professora. Se fosse, seria a melhor ou uma das melhores, pois é inteligente e sabe lidar muito bem com crianças e adolescentes.
Hoje sou professora muito feliz, ainda não tenho a minha classe fixa, mas tenho certeza que logo a terei. Apesar de tudo tenho minha classe de reforço 3 vezes por semana e 1 hora por dia e também estou como eventual.
O reforço é meu xodó, meu orgulho. Eu me esforço muito para ensiná-los, para orientá-los e tenho certeza de que estou conseguindo. Pois cada aluno é especial para mim e eu os adoro.
O perfil do bom professor?
Amar a profissão, as crianças e adolescentes.
Saber que vai estudar muito, tem que estar sempre antenado com tudo. Ter a consciência que o salário é pouco e que o trabalho é grande e tem que ter muito boa vontade.
Tem que ter muita psicologia, paciência, força, fé, ser leal e amigo dos alunos e colegas.
Tem que ser pai e mãe dos alunos e saber ajudá-los, ouví-los e orientá-los quando e sempre que precisam. Saber ouvir e falar com os alunos.