Mark Heinrich
Israel ameaçou na quarta-feira limitar o acesso de muçulmanos ao Templo do Monte durante o Ramadã, que começa esta semana, se problemas de segurança não forem solucionados por autoridades islâmicas.
Especialistas israelenses em antiguidades dizem que uma parte do complexo, chamado pelos muçulmanos de Al-Haram al-Sharif (santuário nobre), corre o risco de desabar.
O Waqf, fundo islâmico que administra o complexo de mesquitas, diz que Israel está apenas tentando assumir o controle do local. O templo é um barril de pólvora desde que Israel se apossou da árabe Jerusalém Ocidental, na Guerra dos Seis Dias, em 1967, e a situação piorou desde o início do levante palestino, em 2000.
Uma assessora disse que o ministro da Segurança, Gideon Ezra, limitaria o número de fiéis que vão à mesquita durante o Ramadã, que deve começar na sexta-feira e dura um mês, a 60 mil nos momentos mais movimentados, um terço do número normal dos últimos anos.
“(Ezra) diz que se o Waqf não recuperar a área perigosa ou tomar providências imediatas para garantir que os fiéis não cheguem perto dela, a polícia israelense não terá escolha, precisará limitar o acesso a cerca de 60 mil fiéis”, afirmou ela.
A Autoridade de Antiguidades de Israel disse que as fundações das galerias subterrâneas chamadas de Mesquita Marwani pelos muçulmanos e de Estábulos de Salomão pelos judeus estão instáveis em consequência de uma mistura de negligência, trabalhos de reconstrução malfeitos e um recente terremoto.
Há rachaduras no teto e numa das paredes da caverna, de acordo com a entidade. Segundo a imprensa de Israel, as conclusões se baseiam num exame feito recentemente por engenheiros egípcios.
O diretor do Waqf, Adnan Husseini, disse que engenheiros contratados pelo fundo fazem serviços de manutenção para garantir que as galerias do século 7 suportem sem riscos um grande número de visitantes.
“Pode ser que precisamos fazer um zoneamento em partes da mesquita para garantir que os fiéis não se machuquem, mas não há perigo de desabamento”, disse ele à Reuters.
Husseini disse que, desde 2000, Israel já não permite o acesso dos mais de 400 mil ou 500 mil fiéis que iam ao complexo durante o Ramadã antes do levante. “De onde vem o perigo então?”
“Al-Haram al-Sharif comporta até 500 mil. Nossas portas estarão abertas a qualquer fiel. Israel não pode decidir os números. Isso violaria nossos direitos humanos e religiosos”, disse Ikrima Sabri, o grande mufti muçulmano de Jerusalém.
Autoridades israelenses afirmam que uma catástrofe no templo seria atribuída pelo mundo muçulmano a Israel, o que poderia agravar a violência na região.
O levante palestino foi deflagrado a partir de uma visita do então líder da oposição Ariel Sharon, hoje primeiro-ministro de Israel, ao complexo, em setembro de 2000.