Vera Botta (*)
A 8 dias do dia D, a primavera sorri e a campanha esquenta
Estamos a poucos dias de decidir o destino da cidade. Discussões sobre ética acabam resvalando para um clima anti-ético que vem agravando a poluição na cidade… As queimadas nos agonizam, invadem e sujam nossas casas… A água vem e limpa… E o círculo vicioso continua… Contas de água mais altas… Agravamento de problemas respiratórios… Quanto à outra poluição, como fazer??? Atitudes e práticas anti-éticas não podem ser lavadas. Marcam decisões, definem opções de vida. Não podem deixar de ser passadas a limpo neste presente conturbado voltado ao futuro.
O que falar sobre ética?
As perguntas são muitas. Até que ponto a política é compatível com a ética? Há quem acredite que política e ética são como água e o azeite, não combinam. Na minha forma de ver e viver a política, elas são indissociáveis. Acredito que tudo deve ser feito tendo como princípio a ética. Sou convicta de que sem ética, a política fica contaminada. E a ética não tem donos, depende de qual opção se tem diante da política e da vida. Temos neste período uma pesada sensação de que limites da ética vêm sendo transgredidos e que os 8 dias que nos separam das eleições serão preenchidos, infelizmente, com rancores despidos de ética, de respeito. E a corrida aos votos muitas vezes se dá em prejuízo de princípios. E o que dizer das promessas perfumadas de sedução???
É possível fazer política diferente?
Por que tudo isso? Por que não combater o quase dito popular “a política é suja” com discussões produtivas sobre os melhores caminhos para a cidade e seus cidadãos? Por que não pôr em prática a política com decência, transparente e verdadeira? Perguntas que nos fazem fervilhar a cabeça nestes dias quentes e ensolarados de setembro…
Lembro-me de quando há cerca de 10 anos disputei minha primeira eleição. Tínhamos poucos folhetos e nossa mala direta era feita artesanalmente por muitas mãos amigas e queridas. Nem estava presente em nosso horizonte que o marketing e a mídia poderiam ser valorizados como santos milagreiros… Nossa meta era conversar com as pessoas e falar dos sonhos de ter uma cidade mais humana, melhor. Hoje, ao lado de demonstrações vivas de uma cidade mais cidadã, convivemos com um investimento exagerado em placas e plaquinhas, em um verdadeiro balcão onde tudo se disputa e se tenta vender… Por não querer transgredir a legislação eleitoral, fico no lamento ao espaço concedido à política despida de ética e na minha incansável esperança de que é possível fazer política sem o apego exagerado ao poder, sem sacrificar afetos, solidariedade e dignidade. Assim, a Coluna aposta: é possível fazer política diferente.
Da arena política ao colorido primaveril da Escola de Dança
A primavera não vem sendo, felizmente, somente feita de expressões desta pobre política. Sentimos um colorido especial quando pensamos nos frutos que vêm sendo colhidos pela Escola Municipal de Dança “Iracema Nogueira”. Nos olhos brilhantes das crianças, na comunidade que vem, passo a passo, dando lições de construção da cidadania através da inclusão cultural, há razões para alimentarmos nossa esperança. E para tomarmos como compromisso a luta da comunidade pela ampliação da escola, pela sede própria, por melhores condições de trabalho aos profissionais envolvidos… E como nesta rede de solidariedade, tudo se cria e se busca transformar, nosso apoio incondicional às Oficinas das Mães que procuram, através de uma cooperativa de costura, criar alternativas de fontes de renda às famílias que fazem parte desta comunidade… Esta escola é uma das provas vivas de que é possível fazer política diferente!!!
A Coluna fica por aqui! Dizendo bem forte que a primavera exige o fim da “pobre política da competição mesquinha, cega aos horizontes utópicos, enredada na burocracia farisaica que coa mosquitos e engole camelos … esconde a tragédia de tantas esperanças fraudadas”. (Frei Betto). Boa semana a todos. Muita tranqüilidade neste período! Que a primavera nos traga serenidade e o doce aconchego das relações verdadeiras. Até a próxima!
(*) É pesquisadora da Uniara.