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Visita de Lula marca instalação da CRRC em Araraquara com investimento bilionário

Conforme já havia anunciado o ex-prefeito Edinho, fábrica vai produzir o Trem Intercidades (TIC), que ligará São Paulo a Campinas, com aporte de R$ 5,6 bilhões do BNDES

O presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cumpriu agenda na região de Araraquara, nesta quarta-feira (25), visitando as instalações da fábrica de trens da CRRC Brasil Equipamentos Ferroviários, onde a gigante chinesa vai concentrar a produção do TIC (Trem Intercidades) Eixo Norte, que vai ligar São Paulo a Campinas.

Lula estava acompanhado do ex-prefeito e presidente nacional do PT, Edinho Silva, que deu início às tratativas, em meados de 2024, quando o Consórcio C2, vencedor do leilão realizado pelo Governo do Estado de São Paulo para a construção do TIC, esteve na prefeitura demonstrando interesse em investir em Araraquara.

Edinho reuniu os investidores, governo de São Paulo e o BNDES, cujo presidente, Aloízio Mercadante, também acompanhou Lula nesta quarta-feira, na visita à fábrica.

O consórcio é formado pela CRRC e pela brasileira Comporte Participações, holding ligada à família Constantino, fundadora da Gol.

A agenda desta quarta marcou um momento estratégico para a consolidação da produção ferroviária no país e para o avanço de investimentos estruturantes em mobilidade. 

O empreendimento já iniciou a contratação de trabalhadores, enquanto as linhas de produção são instaladas.  

Em seu discurso na CRRC, o presidente Lula destacou a participação do BNDES no projeto e defendeu a atuação da instituição.

“O BNDES é o banco de desenvolvimento dos mais importantes que tem no mundo. No nosso governo, ao invés de a gente ficar falando bobagem, a gente colocou o BNDES para trabalhar. E é por isso que a gente está emprestando quatro vezes mais daquilo que ele se emprestava para o desenvolvimento”, declarou o presidente.

Lula também falou sobre a importância das ferrovias e criticou o fato de o país ter abandonado os investimentos nesse tipo de transporte no passado.

“Esse país aqui já teve muita ferrovia. Acontece que, no Brasil, a incapacidade de pensar é tão grande que, quando entrou, na década de 1950, a indústria automobilística para produzir caminhão, ao invés de fazer uma combinação rodovia e ferrovia, preferiram abandonar as ferrovias. A gente poderia ter não abandonado os trens e ter trens modernos como vemos na Itália, Portugal, Alemanha”, lamentou.

Ainda em seu discurso, o presidente Lula destacou a importância de parcerias internacionais para o fortalecimento da indústria nacional.

“É muito importante fazer parceria com países que queiram trazer tecnologias que o Brasil ainda não domina, porque isso significa que a gente vai ter que ter trabalhadores e trabalhadoras bem formados. Certamente muita gente dessa empresa vai à China fazer cursos de aprendizado e aperfeiçoamento. Certamente muitos chineses virão para cá para ajudar o Brasil a ser detentor do conhecimento dessa tecnologia”, declarou Lula.

Também defendeu que o país tem condições de avançar no desenvolvimento econômico e industrial.

“O Brasil precisa ultrapassar essa barreira e se transformar definitivamente num país desenvolvido. O Brasil tem todas as condições de dar um salto de qualidade e se transformar em uma nação desenvolvida. Só basta a gente ter coragem de acreditar no Brasil e fazer as coisas acontecerem”, destacou.

Produção de trens

Também faz parte da licitação do governo do estado de São Paulo vencida pela CRRC a produção dos trens da Linha 2 Verde do Metrô de São Paulo, que atualmente liga a Vila Madalena à Vila Prudente e será prolongada por 8,2 km. A linha ganhará oito novas estações até a Penha, com projeto de integração com a Linha 3 (Vermelha) e com a Linha 11 (Coral).

 A extensão vai exigir a necessidade de 44 novos trens, com um investimento total de R$ 6 bilhões, sendo R$ 3,6 bilhões para os trens, com aporte do BNDES, e R$ 2,4 bilhões na obra civil.

Na cerimônia realizada na fábrica CRRC, o presidente Lula participou do ato de assinatura dos contratos de financiamento do BNDES com o governo do estado de São Paulo, no valor de R$ 3,2 bilhões para o TIC Eixo Norte, e de R$ 2,4 bilhões para a expansão da Linha 2 do metrô da capital paulista.

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, e o ministro das Cidades, Jader Barbalho Filho, assinaram os contratos.

“É um transporte mais moderno e mais eficiente. É um investimento muito grande. Nós não queremos simplesmente fazer metrô. Queremos o metrô, mas queremos fazer gerando emprego e investimento no Brasil. É o BNDES que está financiando essa empresa e nós falamos: ‘temos que gerar conteúdo local, tem que trazer a indústria de volta’. Nós queremos ver a carteira de trabalho assinada, peão entrando na fábrica, trabalhando com segurança, voltando com o salário para casa e reindustrializando esse país”, afirmou Marcadante.

Os dois projetos integram o Novo PAC do governo federal e integram o plano de investimentos em mobilidade urbana do Estado de São Paulo aprovado pelo BNDES, em setembro de 2023.

Complementação

Ainda durante o evento, também foi assinada a Portaria de Seleção para utilização de recursos do FGTS pela concessionária TIC Trens S.A., responsável pela implantação do TIC Eixo Norte. Será disponibilizado financiamento de R$ 1,5 bilhão para complementação das obras.

“Não são números: é melhorar o transporte público para as famílias do estado de São Paulo. Porque quando esse governo pensa em uma obra como essa, ele está pensando em Dona Maria e em Seu João, em como é que ele vai chegar mais cedo na casa dele, como é que ele vai chegar mais cedo ao trabalho, para que ele possa ter, em vez de ficar perdendo tempo durante o transporte, poder estar fazendo um curso, cuidar da família, fazendo uma academia”, ressaltou o ministro das Cidades, Jader Filho.

Ma Lijun, presidente Geral da CRRC Sifang, ressaltou o compromisso da empresa com a nacionalização da produção e a contribuição para a mobilidade do país.

“A nossa meta é estabelecer aqui no Brasil e oferecer serviços ao mercado brasileiro. Esperamos que, com os esforços conjuntos, consigamos transformar uma fábrica de trens chinês em uma fábrica de trens brasileira. Esperamos que consigamos melhorar ao máximo a mobilidade dos brasileiros e contribuir para a economia brasileira através da mobilidade”, disse.

Também participaram do evento os ministros Rui Costa (Casa Civil), Dario Durigan (Fazenda), Jader Filho (Cidades), José Múcio (Defesa), Luiz Marinho (Trabalho), Márcio França (Empreendedorismo), Sílvio Costa Filho (Portos e Aeroportos), Marcos Antonio Amaro (GSI) e Luciana Santos (Ciência e Tecnologia), e o presidente nacional do PT, Edinho Silva.

(Imprensa Edinho Silva)

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